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Morreu o escritor Fernando Correia da Silva

Autor de obra literária e poética, fundador de diversos jornais e editoras, as perseguições da Pide forçaram-no ao exílio no Brasil, de onde voltou depois do 25 de Abril para se dedicar ao movimento cooperativo. Escreveu, entre outros livros, "Mata Cães" (1986), "Querença" (1996). "Maresia" (1998) e "Lianor" (2000).
Escritor era pai e avô dos cineastas Edgar Feldman e João Salaviza.
Escritor era pai e avô dos cineastas Edgar Feldman e João Salaviza.

Fernando Correia da Silva nasce em Lisboa, em 1931. Ainda nos anos 40 participa na campanha de Norton de Matos, milita no MUD Juvenil e é detido em Caxias. Edita em 1950 o seu primeiro livro de poemas, “Colheita”. Em 1952, com Alexandre O'Neill, publica A POMBA, jornal clandestino de poesia militante.

No exterior, com Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Vasco Cabral, declara-se pró-independência das colónias africanas. Regressa a Portugal, mas sob perseguição da PIDE, abandona o curso de Económicas e exila-se no Brasil.

No jornal Folha de São Paulo concebe e dirige a Folhinha, o suplemento infantil publicado ainda hoje. É um dos fundadores do jornal antifascista Portugal Democrático. Com Jorge de Sena, Casais Monteiro, Sidónio Muralha, Fernando Lemos e escritores e artistas brasileiros tais como Maria Bonomi, Guilherme Figueiredo e Cecília Meireles, funda em S. Paulo a Giroflé, editora infantil.

Após o golpe militar de 1964, trabalha numa indústria em Fortaleza, no estado do Ceará. No Nordeste, verifica "a ostentação e a miséria, vampirismo sem disfarces", como refere na sua nota biografia, publicada no site Vidas Lusófonas. De regresso a S. Paulo, aprende e aplica as técnicas da racionalização industrial.

Com o 25 de abril, regressa a Portugal e dedica-se ao movimento das cooperativas de produção.

De entre as suas obras destacam-se os romances "Mata Cães" (1986), em torno de um herói pícaro a desembarcar em pleno Abril de 74 e, dez anos depois, "Querença". Em 1998 e 2000 publicou "Maresia" e "Lianor".

Fundou em 1998 e coordenou até hoje o site de biografias Vidas Lusófonas. Foi pai e avô dos cineastas Edgar Feldman e João Salaviza.

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