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Fundo de reserva da Segurança Social perde 27 milhões de euros com crise no Grupo Espírito Santo

O Fundo que visa garantir a estabilidade do pagamento de pensões é um dos acionista da PT. Desde maio, e perante a crise no Grupo Espírito Santo (GES), a sua posição na operadora já sofreu uma desvalorização de 27 milhões de euros. O risco de incumprimento do GES atinge várias empresas. A Standard & Poor's anunciou, entretanto, novo corte no rating do BES.
Foto de Paulete Matos.

Desde o momento em que o jornal Expresso revelou, a 26 de junho, que a PT aplicou 897 milhões de euros na Rioforte - a sociedade de investimentos não financeiros do Grupo Espírito Santo (GES) -, a operadora registou uma desvalorização de mais de 35%, tendo o seu valor de mercado sido reduzido em cerca de mil milhões de euros.

As aplicações da PT no GES não são, contudo, recentes. Segundo lembrou o Expresso na edição do passado fim de semana, a primeira aplicação da operadora na Espírito Santo International (ESI) teve lugar no final de dezembro de 2012. Os investimentos eram, inicialmente, de curto valor, tendo vindo a registar um aumento gradual. Se, numa primeira fase, as aplicações eram feitas preferencialmente em papel comercial da ESI, em abril de 2013, quando os problemas na holding já eram conhecidos, as mesmas foram transferidas para papel comercial da Rioforte.

Segundo avança o Diário Económico, a auditora EY (nova marca da Ernst & Young) alertou para os problemas de liquidez da Rioforte em março, dias antes de a PT renovar o polémico investimento de 897 milhões em papel comercial da empresa.

A crise no Grupo Espírito Santo, e a consequente desvalorização da PT, tiveram consequências para os acionistas da operadora, entre os quais consta o Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, que detém 2,28% do seu capital. Em maio, a posição do Fundo de reserva da Segurança Social valia 65,1 milhões de euros. Quatro meses mais tarde, esse valor sofreu uma redução de 27 milhões de euros, fixando-se nos 38,1 milhões .

Questionado esta quarta feira, pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, sobre esta matéria, o secretário de Estado da Segurança Social afirmou desconhecer o impacto da crise do GES no fundo da Segurança Social.

PT admite vir a processar o BES

Não tendo recebido da Rioforte o pagamento dos 847 milhões de euros que venceram esta terça feira, a PT viu-se obrigada a assinar um novo acordo com a Oi e a aceitar ficar com uma participação económica na CorpCo – a empresa que resulta da fusão – de apenas 25,6%, contra os 37% previstos no acordo original.

Em comunicado, a operadora explica que vai receber da Oi a dívida que a Rioforte não pagou, em contrapartida por ações da empresa brasileira. À PT será reconhecido o direito de compra dos títulos que agora serão "trocados".

A PT anuncia ainda que, em coordenação com a Oi, “desenvolverá contra a Rioforte e partes relevantes relacionadas, em toda a extensão permitida por lei, as vias legais e procedimentais ao seu dispor com vista a obter o reembolso da dívida da Rioforte”.

Uma ação contra o BES, que tem um acordo de parceria desde 2001 com a PT, e aconselhou os vários investimentos feitos pela operadora, não está, neste contexto, fora de questão.

Incumprimento do GES terá forte impacto na economia portuguesa

O risco de incumprimento do Grupo Espírito Santo (GES) atinge, a par da PT, outras empresas portuguesas. O Expresso Diário refere, inclusive, a holding pessoal de Américo Amorim, que investiu papel comercial no grupo.

O jornal Público assinala, por sua vez, o caso do BCP e CGD, que têm uma exposição ao grupo de 300 milhões de euros cada.

No que respeita ao BES, a verdadeira dimensão da exposição ao Grupo Espírito Santo ainda é uma incógnita. Se bem que alguns estimem que os créditos e outras exposições podem deixar o banco com um défice de capital de 3 mil milhões de dólares, surgem outras notícias que deixam adivinhar um buraco ainda maior. Em causa está, por exemplo, o empréstimo ao BES Angola de cerca de 3 mil milhões euros.

A Petróleos da Venezuela, que também comprou papel comercial de empresas do GES, através do BES, é credora de uma dívida que anda à volta dos 600 milhões de euros, segundo avança a SIC Notícias. Tendo em conta que os títulos em questão vencem nos próximos dias, e perante a incapacidade de o grupo pagar, o problema transitará para o Banco Espírito Santo.

Por outro lado, a Espírito Santo International (ESI) conta com pagamentos em atraso referentes a aplicações que vendeu aos clientes do Banco Privée Espírito Santo, sendo que, se não os liquidar até sexta feira, entrará em incumprimento. O valor em causa não foi cabalmente apurado até à data.

Standard&Poor's volta a cortar rating do BES

O não pagamento, por parte da Rioforte, dos 847 milhões de euros que venceram esta terça feira e a possibilidade da ESI, a par de outras entidades do GES, vir a pedir proteção de credores, levou a agência de notação financeira Standard & Poor’s a anunciar uma nova descida de dois níveis da classificação do Banco Espírito Santo, para o sexto nível de "lixo".

A cotação do BESI também foi cortada, encontrando-se ao mesmo nível que a do BES.

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