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Juncker eleito presidente da Comissão Europeia

À partida contaria com 480 votos do bloco PPE-socialistas e liberais, mas só teve 422, e os Verdes anunciaram que o apoiariam. Marisa Matias diz que novo presidente “continua a política de dominação dos mercados financeiros”.
Bancada do GUE manifestou-se contra o Tratado Transatlântico de Investimento e Parceria (TTIP). Foto do GUE/NGL
Bancada do GUE manifestou-se contra o Tratado Transatlântico de Investimento e Parceria (TTIP). Foto do GUE/NGL

O luxemburguês Jean-Claude Juncker foi eleito esta terça-feira presidente da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu, ao receber 422 votos a favor, 250 contra e 47 abstenções.

Juncker, de 59 anos, foi o candidato à Comissão apresentado nas eleições europeias de maio passado pelo Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, e irá suceder, no final de outubro, a José Manuel Durão Barroso, que liderou o executivo comunitário ao longo dos últimos 10 anos (2004-2014).

Bancada dos Verdes chamou a votar em Juncker

Para confirmar a nomeação, Juncker tinha de conseguir 376 dos 751 votos. À partida, contaria com os 480 votos do grande bloco formado pelo Partido Popular Europeu, os socialistas e a aliança liberal-democrata. Mas o voto foi secreto, o que fez aumentar o número de deputados do grande bloco a rejeitar o candidato – pelo menos 60 populares, socialistas e liberais-democratas tinham indicado que iriam votar contra o luxemburguês. Essas deserções, porém, foram compensadas com uma boa parte dos votos dos deputados da bancada dos Verdes, que chamou ao voto no luxemburguês.

Dos eurodeputados portugueses, apenas do PCP e do Bloco de Esquerda não votaram em Juncker, ao contrário de todos os restantes.

Marinho Pinto elogia

Carlos Zorrinho, líder da delegação do PS, Paulo Rangel, que foi o cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD e CDS-PP), e Marinho e Pinto, do Partido da Terra (MPT), consideram positiva e auspiciosa a eleição de Juncker para a liderança do executivo comunitário.

Marinho e Pinto, do MPT, disse à Lusa que a eleição de Juncker representa "um reforço da democraticidade da Comissão Europeia", sendo alguém que manifesta preocupações sociais e que "tem posições em matéria económica favoráveis a países da periferia, como Portugal e Grécia".

"É o resultado de compromissos que se fizeram aqui, e que penso que são positivos, apesar de tudo, para o futuro da UE. Tem um discurso que é novo em muitos aspetos relativamente ao seu antecessor (Durão Barroso). Será melhor? Difícil é que era pior", afirmou.

Candidato da continuidade

Já Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, sustentou que o luxemburguês representa a continuidade. "Tem mais sentido de humor, é melhor discursivamente que o seu predecessor, mas, seja como for, acho que continuamos a política de dominação dos mercados financeiros. Apesar de haver um conjunto de declarações relativamente às questões sociais, à criação de emprego, a verdade é que de fundamental nada muda", afirmou.

Dirigindo-se a Juncker, Gabi Zimmer, presidente do GUE/NGL, disse que o seu grupo parlamentar “não quer ver mais cortes orçamentais, mais destruição do modelo social, mais privatização e mais erosão dos padrões ecológicos”. E prosseguiu: Na semana passada, quando veio falar com o nosso Grupo, respondeu a algumas perguntas que fizemos, a outras não. Disse que quer aumentar os padrões sociais, mas precisamos saber o que especificamente tenciona fazer. Precisamos de ter um salário mínimo que evite a pobreza”. E concluiu:

“Não votámos em si hoje, mas apoiá-lo-emos quando quiser de facto melhorar a situação social do povo.”

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