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Grávidas chegam aos hospitais com fome

As medidas de austeridade impostas pelo governo PSD/CDS-PP, que se traduzem numa redução abrupta dos rendimentos das famílias, têm consequências particularmente alarmantes entre as grávidas, as crianças e os mais idosos. Nos últimos dois anos, são cada vez mais frequentes os casos de grávidas que chegam às consultas ou às urgências dos hospitais com fome.

A enfermeira especialista em saúde materna Elsa Guerreiro, que faz serviço de urgência no Hospital Amadora Sintra, alertou, em declarações à Antena 1, que estão a aparecer grávidas com fome, o que não acontecia até aqui. Neste último ano, estas situações têm vindo a tornar-se cada vez mais frequentes, frisa a especialista.

Muitas crianças retidas nos serviços do Hospital “porque as famílias não têm condições de as acolher”

No berçário do Amadora Sintra a situação também é alarmante. Segundo avança Elsa Guerreiro, estão muitas crianças retidas nos serviços do Hospital “porque as famílias não têm condições de as acolher”.

No Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, também se registou, nos últimos anos, um aumento do número de grávidas que chegam às consultas ou à urgência com fome, conforme adianta o diretor do serviço de ginecologia e obstetrícia, Pedro Tiago.

“Chegamos a ter aqui casos em que temos a perfeita noção de que as pacientes vêm ao serviço de urgência e ficam internadas um ou dois dias porque têm de se alimentar”, afirma Pedro Tiago.

Fernanda Rodrigues, presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social, refere ainda casos de grávidas que “ficam internadas alguns dias só para serem alimentadas”. Nos últimos dois anos, os profissionais têm reportado, com cada vez maior frequência, “situações de subnutrição, de mulheres que chegam aos hospitais com uma alimentação muito deficiente”, assinala Fernanda Rodrigues, sublinhando que existem relatos como estes em vários pontos do país.

Muitas grávidas, bebés, crianças e idosos estão a deixar de comer porque “a alimentação teve de deixar de ser uma prioridade”

Muitos casos de carência passam, contudo, despercebidos. Muitas grávidas, bebés, crianças e idosos estão a deixar de comer porque “a alimentação teve de deixar de ser uma prioridade” para muitas famílias afetadas pela crise, por forma “a esticarem os seus salários”, alerta a presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social.

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