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Médicos em luta pela defesa do SNS

No primeiro dia da greve que decorre até às 24h de quarta feira, cerca de 1500 médicos concentraram-se em frente ao Ministério da Saúde, em protesto contra as políticas de austeridade impostas no setor. Esta “é mais uma grande greve de médicos feita a pensar nos cidadãos, a pensar na defesa do SNS”, declarou o coordenador nacional do Bloco, João Semedo, durante o protesto.
Foto de Paulete Matos.

Vestidos com batas brancas e transportando balões de cor amarela com as letras SNS, os médicos protestaram contra a reforma hospitalar proposta pelo executivo PSD/CDS-PP, que se traduz no encerramento e desmantelamento de serviços, e a introdução da chamada “lei da rolha”, bem como contra a carência de profissionais e de materiais.

Durante a iniciativa, convocada pela Federação Nacional de Médicos (FNAM), os profissionais ostentaram cartazes com frases como: “Não à lei da rolha”, “internatos de qualidade”, “pela defesa das carreiras”, “pela defesa da contratação coletiva” e “fim do comissariado politico nas nomeações para cargos de direção”.

Uma grande greve de médicos em defesa do SNS”

Esta “é mais uma grande greve de médicos feita a pensar nos cidadãos, a pensar na defesa do SNS, que se pretende que seja geral e universal, que seja humanizado, e não este SNS que o Governo está a reduzir ao serviço mínimo, a partir de uma política de corte atrás de corte”, declarou o coordenador nacional do Bloco de Esquerda, João Semedo, durante o protesto.

Frisando que o SNS é “a maior conquista da nossa democracia” e “o pilar do Estado Social”, o dirigente bloquista acrescentou que “esta greve é um apelo para que o Governo mude de política". "Uma política diferente, capaz de modernizar, de humanizar, de construir mais SNS”, avançou.

José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, alertou para o facto de os problemas que os doentes estão a enfrentar no acesso à saúde serem bastante graves.

“As entrevistas que têm sido feitas aos doentes demonstram bem que estes compreendem as razões da mobilização dos médicos e, mesmo sendo prejudicados no imediato, percebem que aquilo por que lutamos é pela qualidade da saúde, pelo SNS, que é um bem a que todos os cidadãos têm direito”, referiu José Manuel Silva.

Sublinhando que não estão em causa “motivações salariais e coorporativas”, o bastonário da Ordem dos Médicos afirmou que os profissionais batem-se pela “defesa dos direitos dos doentes e a defesa da qualidade da saúde em Portugal”.

Os médicos não aceitam “ser os carrascos do SNS”

“Este ministro é o coveiro da Saúde e tem de ser responsabilizado politicamente por qualquer problema que venha a surgir que envolva mortes”, afirmou o líder da CGTP, Arménio Carlos.

“Esta manifestação conta também com o apoio da população portuguesa”, referiu ainda o dirigente sindical, sublinhando que “com a vida das pessoas, não se pode brincar”.

Já o presidente da Associação das Unidades de Saúde Familiar (USF) salientou que os médicos não aceitam “ser os carrascos da reforma dos cuidados de saúde primários e do SNS”.

Adesão à greve ronda os 90%, avançam os sindicatos

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) apontou para uma adesão à greve dos médicos de cerca de 90 por cento a nível médio nacional.

Em Setúbal, os blocos operatórios e as consultas foram os serviços mais afetados pela paralização, com uma adesão na região que rondou os 70 por cento.

Já em Coimbra, 75% das cirurgias programadas no Centro Hospitalar e Universitário (CHUC) foram desmarcadas devido à greve.

Segundo fontes sindicais e das administrações hospitalares contactadas pela agência Lusa, cerca de metade dos médicos dos hospitais de Évora e de Portalegre aderiu ao protesto.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, perto de 300 médicos fizeram greve de manhã, tendo-se verificado problemas na área cirúrgica, especialmente na especialidade de anestesiologia, que contou com uma adesão de 68%.

Nos hospitais de S. João, Santo António e Pedro Hispano, no Porto, a grande maioria das operações agendadas foi adiada, centenas de consultas foram canceladas e os centros de saúde ficaram com as salas de espera completamente vazias.

ESQUERDA.NET | Manifestação dos médicos | Lisboa | 2014

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