You are here

“A greve dos médicos é a favor dos cidadãos”, afirma João Semedo

Em entrevista ao esquerda.net, o coordenador do Bloco de Esquerda acusa o governo de ter o plano de “reduzir o SNS aos mínimos e entregar a prestação dos cuidados aos privados, seja aos grandes hospitais do BES e dos Mello, seja às Misericórdias” e afirma que a greve dos médicos “é para defender o SNS e a qualidade dos cuidados de saúde que a política de Paulo Macedo põe em risco”.
João Semedo acusa o ministro de só se lembrar dos cidadãos quando há greve e espera que ela seja “esmagadora quer pela grande adesão dos médicos quer pelo apoio e solidariedade que vai receber da população” - Foto de Paulete Matos

João Semedo acusa o ministro de só se lembrar dos cidadãos quando há greve e espera que ela seja “esmagadora quer pela grande adesão dos médicos quer pelo apoio e solidariedade que vai receber da população”.

O médico e coordenador do Bloco de Esquerda sublinha que “os portugueses querem o seu SNS tal como a democracia o construiu, universal e geral, para tudo e para todos” e “por isso, são solidários com a greve”.

Segundo o jornal "Público", "o Ministério da Saúde não reconhece razões objectivas para a paralisação de dois dias" e descreve a greve como "particularmente prejudicial para os cidadãos que precisam de cuidados médicos". Qual a tua opinião e porquê?

O ministro só se lembra dos cidadãos quando há greve. Não se lembra das pessoas que prejudica quando corta nos transportes, quando raciona medicamentos, quando fecha unidades de saúde, quando atrasa cirurgias por falta de materiais ou quando aumenta as taxas moderadoras. Hoje é mais difícil ter consulta a tempo e horas seja no centro de saúde ou no hospital, espera-se cada vez mais para ser atendido na urgência de um hospital, as listas de espera para cirurgia voltaram a crescer. Quase um milhão e meio de portugueses continuam sem médico de família. A greve de terça e quarta é para defender o SNS e a qualidade dos cuidados de saúde que a política de Paulo Macedo põe em risco. É uma greve em favor dos cidadãos.

Há dois anos, os médicos fizeram uma greve com grande adesão. Desta vez, a greve não é convocada pelo SIM (Sindicato Independente dos Médicos), que diz que o tempo é de negociação, esperas que a greve de dois dias tenha também grande adesão? Porquê?

Desta vez, falaram mais alto as simpatias partidárias de alguns dirigentes do SIM que, ao recusarem a greve, quiseram dar uma mão ao seu governo e ao ministro Paulo Macedo. Apesar disso, vai ser uma greve esmagadora quer pela grande adesão dos médicos quer pelo apoio e solidariedade que vai receber da população, como já aconteceu há dois anos. Os portugueses querem o seu SNS tal como a democracia o construiu, universal e geral, para tudo e para todos. Por isso são solidários com a greve.

Para ti, o que é que a greve tem a ver com o SNS e o que significa para cada um de nós, em particular para os que não trabalham no setor?

O governo tem um plano, reduzir o SNS aos mínimos e entregar a prestação dos cuidados aos privados, seja aos grandes hospitais do BES e dos Mello, seja às Misericórdias. O estado paga e os privados fazem e lucram. Por isso está a degradar a qualidade dos serviços públicos de saúde para a população acabar por aceitar mais facilmente a privatização do SNS. O governo corta na saúde e degrada a qualidade dos serviços mas, depois, perante o protesto dos utentes, atira as culpas e as responsabilidades para cima dos médicos e dos restantes profissionais de saúde como se a culpa fosse deles, como se os cortes fossem feitos pelos médicos e não pelo ministério. Esta greve denuncia exatamente isso, a tentativa do governo fugir às suas responsabilidades pelo caos que está a criar no SNS.

Termos relacionados Política
Comentários (1)