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Venda do BPN Crédito mostra que o buraco do BPN está longe de acabar

O Governo vendeu o BPN Crédito por 36 milhões de euros a uma empresa gestora de fundos e anunciou um prejuízo de 62,9 milhões para os contribuintes pagarem. Para o Bloco de Esquerda, esse buraco pode ser ainda maior, como sucedeu com a venda do BPN ao BIC.
Foto Paulete Matos.

Em comunicado entregue à CMVM, uma das empresas detidas pelo Estado para gerir o universo do BPN nacionalizado - a Parparticipadas - estima os custos desta operação para o Estado em “aproximadamente 62,9 milhões de euros”. O comprador é a Firmus Investimentos SGPS, SA, administrada por Luís Monteiro D’Aguiar, ex-diretor da PriceWaterhouse Coopers e de empresas ligadas ao setor financeiro e turismo. Outro dos investidores por detrás da empresa é a gestora de fundos inglesa Cabot Square Capital.    

O comunicado da Parparticipadas diz que o comprador do BPN Crédito se comprometeu ainda a manter “um número significativo de postos de trabalho”, embora não esclareça quantos dos 170 trabalhadores manterão o lugar no banco agora vendido.

Bloco quer saber quanto valia o BPN Crédito

“A questão que se coloca com a venda do BPN Crédito é se o Estado perdoará essa dívida, assumindo mais um prejuízo avultado e transferindo para os contribuintes os custos dos negócios do universo BPN”, diz o requerimento do Bloco.

“Ao contrário do que o governo disse e prometeu quando vendeu por 40 milhões o BPN, as perdas para o Estado estão longe de  acabar”, afirmou João Semedo ao esquerda.net. O coordenador e deputado do Bloco entregou esta sexta-feira na Assembleia da República um requerimento a questionar a ministra das Finanças sobre os contornos desta operação, nomeadamente o valor da avaliação feita ao BPN Crédito.

O Bloco quer saber ainda se o Estado “irá assumir os ativos tóxicos do BPN Crédito, para o poder vender ‘limpo’ à Firmus Investimentos”. Se isso acontecer, quer dizer que as perdas para o Estado com a venda do BPN Crédito "são ainda maiores, uma vez que o Estado é que assumirá os prejuízos daí resultantes".

A dívida de 200 milhões do BPN ao BPN Crédito, que o Estado assumiu quando entregou o banco ao capital angolano, é outro dos contornos deste negócio que o Bloco quer ver esclarecido. “A questão que se coloca com a venda do BPN Crédito é se o Estado perdoará essa dívida, assumindo mais um prejuízo avultado e transferindo para os contribuintes os custos dos negócios do universo BPN”, diz o requerimento do Bloco.

Em relação à garantia abstrata sobre o futuro dos trabalhadores do BPN Crédito, João Semedo regista que “mais uma vez, o Governo que é recordista do desemprego, invoca o interesse dos trabalhadores para justificar negócios cujos principais beneficiários são os compradores”, tal como já tinha acontecido com a venda do BPN ao BIC.

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