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“Esvaziamento do interior cria país a duas velocidades”

João Semedo esteve no concelho de Castro Verde para lançar a campanha do Bloco contra o encerramento de escolas e alertar para as consequências do progressivo abandono do interior por parte do Governo.
Escola em Casével, Castro Verde. Nas próximas semanas, o Bloco vai levar esta mensagem às escolas que o Governo pretende encerrar.

Foi na freguesia de Casével que o coordenador bloquista deu início à campanha “Não fechem o país - Sem escola não há futuro”, a propósito do anunciado plano de Nuno Crato para encerrar 311 escolas do 1º ciclo, na esmagadora maioria no interior do país. “Este é mais um passo do esvaziamento do interior, que cria um país a duas velocidades. O Bloco está contra isso e defende que Portugal precisa de todos os portugueses e de todas as regiões do país. Se fecham escolas, unidades de saúde, repartições de finanças, estações de caminhos de ferro, não há condições para viver no interior do país”, declarou João Semedo aos jornalistas.

“É justamente o contrário que é necessário fazer: investir nos serviços públicos em todo o país, a começar pelas regiões que hoje vivem com mais dificuldades, para que o país possa sair da crise criando postos de trabalho, novas empresas, investimento público para que haja um país equilibrado entre litoral e interior” defendeu o coordenador do Bloco.

“O consenso já existe: é contra a austeridade e este Governo”

Questionado sobre a reunião do Conselho de Estado que decorria em Belém, Semedo afirmou que ela servirá para Cavaco Silva “oxigenar o seu Governo e dar mais um balão de oxigénio a uma política que está condenada e a condenar o país ao insucesso”.

“A dívida, que tem sido o pretexto desta política, não para de aumentar, já vai em 132,9% do PIB e tem crescido com a austeridade”, recordou Semedo, prevendo que “se o Governo insiste com mais cortes de salários e pensões, mais encerramentos de serviços públicos, mais desgaste da economia pública e privatizações, o único resultado será o mesmo: um país atrasado com cada vez mais dificuldade em produzir riqueza”.

Aos números da taxa de desemprego que o Governo tem apresentado como sinal da recuperação da economia, João Semedo contrapôs “os números que realmente medem a recuperação económica, que são os da criação de emprego: no primeiro trimestre do ano tivemos uma redução de 42 mil postos de trabalho”. Para sair da crise, João Semedo voltou a defender o caminho da restruturação da dívida. “Se não o fizermos, a alternativa que existe é insistir na austeridade e aí vamos ter os mesmos resultados dos últimos três anos”.

Respondendo também aos apelos ao consenso por parte de Cavaco Silva, o coordenador do Bloco justifica a insistência do Presidente da República “porque como toda a gente já percebeu, este governo perdeu o apoio social e político maioritário”. “O consenso existe: é contra a austeridade e este Governo. Se o Presidente da República fosse sensível ao consenso que existe, o que faria era demitir o Governo que foi o responsável por perder o apoio que lhe foi dado há três anos e que já não existe”, concluiu João Semedo.

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