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Impunidade da banca

A ganância dos banqueiros esteve na origem da crise financeira, mas passados seis anos são os contribuintes que continuam a pagar os estragos. A banca ficou impune e continua a ditar a sua lei aos Estados, que impõem a austeridade para conseguir uma das maiores transferências de que há memória dos rendimentos do trabalho para o capital. Dossier organizado por Luís Branco.
Foto Kopf oder Zahl/Flickr

"Esta crise das dívidas foi uma forma de resgatar o sistema financeiro que estava em crise desde 2008", afirma Paulo Pena, jornalista e autor de "Jogos de Poder", entrevistado para este dossier. O regime de promiscuidade entre a banca e a política e as semelhanças entre os casos do BES e do BCP são outros destaques desta entrevista. Para compreendermos como é que as ajudas públicas aos bancos não resultaram em mais crédito para a economia, o jurista José Castro leva-nos a descobrir como as poupanças dos depositantes têm sido destruídas pelos investimentos arriscados e os créditos a acionistas e respetivos amigos, com garantias sem valor.

A impunidade da banca à escala global é o tema de um artigo de Eric Toussaint, do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, enumerando alguns dos crimes financeiros que levaram sete gigantes da banca mundial ao banco dos réus. Nenhum banqueiro foi preso por isso, já que a regra do sistema é negociar multas para evitar condenações. Não admira por isso que ao ser recentemente aprovada uma diretiva europeia para dar transparência às estratégias da banca para fugir ao fisco nas margens da lei (a chamada "otimização fiscal agressiva"), a Comissão Barroso tenha nomeado a PricewaterhouseCoopers para estudar a viabilidade da dita diretiva. Trata-se da empresa responsável por organizar essa "fuga legal ao fisco" por parte de muitos bancos...

Sobre a impunidade da banca e a responsabilidade do sistema financeiro na atual crise, recomendamos quatro documentários disponíveis no Youtube. Apenas um deles não tem legendas ou dobragem em português - o recém-lançado "€uro€stafa", de Guillermo Cruz, mostra a crise como resultado de políticas monetárias perversas antes da chegada do euro, seguindo uma cronologia inversa de hoje até 1993, quando a UE decidiu ter uma moeda única. "Quando a Europa salva os bancos, quem paga?" é um documentário lançado em 2013 no canal Arte por Árpád Blondy e Harald Schumman, que veio agora a Portugal preparar o próximo documentário mas viu todas as portas do Governo fecharem-se. Castastroika, de Aris Chatzistefanou e Katerina Kitidi, tornou-se um sucesso de downloads dentro e fora da Grécia, com o seu relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e da ideologia neoliberal da troika. Por fim, o mais popular Inside Job, o filme vencedor do Óscar para Melhor Documentário em 2011 que mostra as causas do crash financeiro de 2008 e os responsáveis pela maior crise desde a Grande Depressão de 1929.

Como era inevitável no atual momento, a crise no Grupo Espírito Santo assume também lugar de destaque neste dossier: Francisco Louçã chama-a "um tsunami que começou numa guerra de família"; Adriano Campos faz a análise da rede de influência montada pelo banco nos órgãos de decisão política nos últimos 30 anos; e Jorge Costa, autor de "Os Donos Angolanos de Portugal", explica porque é que o BES Angola é um afro-BPN.

Por fim, recuperamos artigos do esquerda.net publicados noutras ocasiões, como no dossier "Dez escândalos pagos pelos contribuintes": O assalto laranja sobre o BPN conta a história do banco fundado e afundado por ex-governantes do PSD; os negócios angolanos da Galilei mostram como a antiga SLN continua a dar cartas no imobiliário e até no petróleo; o caso dos offshores do BCP, que prometia também acabar com multas, vai a caminho da total prescrição; ou o caso do BPP, arruinado pela má gestão e também suportado pelos contribuintes, que continua a percorrer os longos caminhos da justiça portuguesa para este tipo de crimes.

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Resto dossier

Impunidade da banca

A ganância dos banqueiros esteve na origem da crise financeira, mas passados seis anos são os contribuintes que continuam a pagar os estragos. A banca ficou impune e continua a ditar a sua lei aos Estados, que impõem a austeridade para conseguir uma das maiores transferências de que há memória dos rendimentos do trabalho para o capital. Dossier organizado por Luís Branco.

Paulo Pena: “Separar política e banca seria de elementar bom senso”

Paulo Pena, jornalista e autor do livro “Jogos de Poder”, falou ao esquerda.net sobre a responsabilidade dos bancos na crise dos últimos anos, as semelhanças entre os casos do BES e do BCP e o atual regime baseado na articulação entre o poder financeiro e político, “que subverte a política e também não é bom para a banca”.

Os banqueiros continuam a tramar o país. Até quando?

Apesar das enormes quantidades de dinheiro transferidos dos Estados e do BCE, os bancos continuam sem conceder crédito às atividades económicas produtivas. Como se chegou a tal situação?

BES Angola, um afro-BPN

Ao assumir o buraco do BES Angola, o governo de Luanda vai gastar o mesmo que aplicou no Fundo Soberano do país.

BES: o império dos homens maus

São várias as formas como o maior banco privado português construiu a sua rede de influência entre os governantes, como diferentes são os sinais de retribuição de cada um dos 25 Ministros e Secretários de Estado que se cruzaram com os destinos do BES.

Devemos acabar com a impunidade dos bancos

Dizem que são "demasiado grandes para falir" mas na verdade são "demasiado grandes para acabar na prisão". Aqui ficam algumas das fraudes dos gigantes da banca mundial: BNP Paribas, Deutsche Bank, Royal Bank of Scotland, Crédit Suisse, Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan, entre outros.

Transparência dos bancos na Europa: um estudo de viabilidade que começa mal

A diretiva "CRD14", aprovada após longa discussão no Parlamento e Conselho Europeu, obriga os bancos a revelarem as suas manobras de otimização fiscal agressiva. Mas a Comissão Barroso encomendou um estudo de viabilidade da medida à PwC, uma das gigantes mundiais que fornece aos bancos esses esquemas de fuga legal aos impostos.

Foto CaptKodak/Flickr

Quatro documentários sobre a impunidade dos bancos

Sugerimos neste dossier quatro documentários, a maior parte com legendas ou dobragem em português. O mais recente é €uro€stafa, de Guillermo Cruz e o mais premiado é Inside Job, de Charles H. Ferguson. Quando a Europa salva os bancos, quem paga?, de Harald Schumman e Árpád Bondy, foi transmitido pelo canal Arte em 2013 e Catastroika, de Aris Chatzistefanou e Katerina Kitidi, tornou-se um sucesso de downloads dentro e fora da Grécia.

BPN: o assalto laranja ao país

O banco fundado e afundado por ex-governantes do PSD serviu de plataforma para branquear capitais e distribuir dinheiro pelo círculo próximo do partido. A fatura está a ser paga pelos contribuintes e pode chegar aos 7 mil milhões. As investigações e processos arrastam-se na justiça e o BPN acabou entregue ao capital angolano a preço de saldo.

Os negócios milionários da SLN/grupo Galilei em Angola

A holding de Oliveira e Costa viu-se livre do BPN e apostou em quotas na exploração de petróleo e em parcerias com altos responsáveis do regime no setor imobiliário. Estes são alguns dos negócios milionários da SLN/Galilei em Angola, descritos no livro “Os Donos Angolanos de Portugal”.

Offshores do BCP: Banqueiros salvos pela prescrição

No início de 2013, um tribunal condenou nove ex-administradores do BCP a multas num total de mais de quatro milhões de euros, confirmando a condenação prévia do regulador da bolsa. O buraco ronda os 600 milhões de euros, mas com o arrastar do processo, os banqueiros condenados ainda podem escapar ao pagamento das multas.

BPP: Lucros para acionistas, buraco para os contribuintes

O Banco Privado Português foi arruinado pela má gestão dos administradores, que transferiam as perdas dos seus investimentos para as carteiras dos clientes. Um ano antes de falir, o banco pagou milhões em dividendos a acionistas como Balsemão, Saviotti e o próprio João Rendeiro, agora acusado em tribunal.