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Protestos contra fecho de escolas multiplicam-se um pouco por todo o país

A medida imposta pelo executivo de Pedro Passos Coelho tem merecido forte contestação por parte de professores, encarregados de educação, sindicalistas e autarcas das populações afetadas, alguns dos quais eleitos pelas listas do PSD. O governo é acusado de penalizar o interior do país, de atender apenas a razões economicistas e de impor a medida “contra tudo e contra todos”.
Foto NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA.

Esta terça feira foi a vez da população da freguesia da Curalha, em Chaves, manifestar-se contra o encerramento do estabelecimento de ensino que é a “alegria da povoação”. Empunhando cartazes com frases como “Uma aldeia sem escola é como um burro sem carroça”, “O encerramento de uma escola é o fecho de uma aldeia” ou “As nossas crianças não são vossa propriedade”, pais, alunos e autarcas prometeram não desmobilizar, garantindo não estar dispostos a abdicar da escola da Curralha.

O presidente da Junta de Freguesia, afirmou, inclusive, em declarações à agência Lusa, que que está a ponderar avançar com uma providência cautelar para travar o processo de encerramento.

O protesto contou ainda com a participação do vice-presidente da Câmara de Chaves, Carlos Castanheira Penas, do PSD, que advogou que os critérios tidos em conta para fechar escolas nas zonas de alta densidade populacional não podem ser idênticos aos utilizados no interior.

“Estamos a desertificar o nosso território do interior e a fazer com que as pessoas abandonem as aldeias”, enfatizou.

As críticas do autarca de Chaves juntam-se às de outros autarcas sociais democratas, como é o caso do presidente da Câmara Municipal do Fundão, que anunciou que a autarquia contestou formalmente a proposta do governo para encerrar a Escola de 1.º ciclo de Ensino Básico dos Enxames, ou do presidente da Câmara Municipal de Pombal, Diogo Mateus, que acusou o ministério da Educação de ter “escolhido as regras da má educação” ao fechar uma escola do concelho, de um total de três, sem comunicar previamente a decisão à autarquia.

Os protestos contra o encerramento de 311 escolas do 1º ciclo têm-se multiplicado em vários locais do país, como Portalegre, Viseu, Espinho e Faro.

Associação Nacional de Municípios Portugueses contra fecho de escolas

A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) manifestou também a sua "oposição à decisão do governo de encerrar 311 escolas do primeiro ciclo", cujo processo só é possível através de "um profundo diálogo" entre a tutela e as câmaras municipais.

Segundo defende a ANMP, "o encerramento de escolas e a concentração de alunos noutras instalações escolares deve fazer-se apenas quando a mudança proporcionar melhores condições de aprendizagem, sucesso educativo e uma vivência saudável e plural dos alunos".

Fenprof: “Encerramento de escolas foi decidido contra tudo e contra todos”

Em comunicado, datado de 25 de junho, a Fenprof denuncia que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) “não chegou a qualquer entendimento com muitas câmaras municipais ou não assumiu os compromissos a que chegou”.

“No caso do concelho de Moimenta da Beira os serviços do MEC nem sequer chegaram a realizar ou a marcar qualquer reunião com a câmara municipal”, refere o documento.

Segundo a Fenprof, “este encerramento de mais de três centenas de escolas é ditado exclusivamente por razões economicistas”.

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