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“Duas grandes mentiras do governo foram desmontadas”

João Semedo diz que o tempo encarregou-se de desmentir as ideias de que a austeridade paga a dívida e que os sacrifícios são distribuídos por igual. Quanto ao desemprego, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda considera que era bom comparar a taxa de desemprego com a criação de emprego.
CGTP e Bloco de Esquerda confirmaram grandes convergência de pontos de vista. Foto de Paulete Matos
CGTP e Bloco de Esquerda confirmaram grandes convergência de pontos de vista. Foto de Paulete Matos

Delegações da CGTP e do Bloco de Esquerda reuniram-se esta terça-feira na sede do Bloco em Lisboa e constataram mais uma vez a existência de uma grande convergência de pontos de vista e opiniões, quer no domínio da análise quer no domínio das propostas para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e dos reformados, disse o coordenador nacional do Bloco no final da reunião.

Sobre as notícias do dia, João Semedo afirmou que o tempo encarregou-se de desmontar duas grandes mentiras construídas pelo governo. “Em primeiro lugar, que a austeridade paga a dívida”, disse o deputado, afirmando que ao longo de três anos o governo tem imposto cada vez mais austeridade, mais impostos, mais cortes de salários, mais cortes nas pensões e a dívida não para de crescer. “Soubemos agora que a dívida portuguesa ultrapassou os 130% do PIB exatamente hoje, 132,9% do PIB, nunca a dívida portuguesa esteve tão alta”, apontou Semedo.

Sacrifícios não são por igual

A segunda mentira é que os sacrifícios têm sido distribuídos por igual. “Bem pelo contrário: os rendimentos do trabalho, os trabalhadores têm sido as principais vítimas da austeridade, e ao contrário, os rendimentos do capital, dos grandes grupos económicos e financeiros, foram os grandes beneficiários desta política de austeridade”. Enquanto os rendimentos do trabalho, nos últimos anos, perderam, em virtude da austeridade, 3.600 milhões de euros, os rendimentos do capital cresceram 2.600 milhões de euros.

Quanto mais austeridade este governo se prepara para impor, mais difícil será sair da crise.

“Do nosso ponto de vista”, afirmou João Semedo, “o país precisa de outra política e de outro governo. Precisa de uma política que aposte nos salários e nas pensões, que aposte no investimento público, quer em políticas sociais quer em políticas de economia e de emprego e só assim o país poderá sair da crise. Quanto mais austeridade este governo se prepara para impor, mais difícil será sair da crise”.

Componente virtual do desemprego

Questionado sobre os números do desemprego, cuja taxa desceu três décimas, segundo o Eurostat, João Semedo sublinhou que os números que têm vindo a ser revelados sobre a taxa de desemprego têm uma componente virtual muito grande e era bom comparar a taxa de desemprego com a criação de emprego. “O que temos vindo a verificar é que em virtude das alterações no domínio dos trabalhadores que imigram, dos trabalhadores que têm não um trabalho mas uma ocupação, e também as alterações verificadas nos critérios de classificação de quem é ativo e de quem é inativo, tudo isso em conjunto tem provocado uma redução virtual e artificial da taxa de desemprego que não tem correspondência no aumento dos postos de trabalho. E isso sim é que seria sinal de uma economia em crescimento.

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