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BES já perdeu em Bolsa mais do que o valor do aumento de capital feito em junho

Em junho as ações caíram quase 40%, fazendo esfumar-se o aumento de capital de 1.045 milhões de euros. Queda já arrastou a PT, que reconheceu que fez um empréstimo de curto prazo a uma empresa do grupo, e já tem até repercussão nos juros da dívida pública.
Ricardo Salgado tinha dito que o aumento de capital era histórico. Mas a queda na bolsa já foi maior. Foto de Foto de António Cotrim/Lusa (arquivo)
Ricardo Salgado tinha dito que o aumento de capital era histórico. Mas a queda na bolsa já foi maior. Foto de Foto de António Cotrim/Lusa (arquivo)

O Banco Espírito Santo fez em junho um aumento de capital que Ricardo Salgado qualificou como "o que teve mais sucesso desde a privatização" em 1992. Mas menos de um mês depois, e particularmente nesta segunda-feira, o banco já viu esfumar-se na bolsa um valor superior ao do aumento de capital, que foi de 1.045 milhões de euros. Desta forma, desde 6ª feira, o BCP voltou a ser o maior banco privado português.

Desde 6ª feira, o BCP voltou a ser o maior banco privado português.

A queda acentuada nas duas últimas sessões da Bolsa levou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a proibir a venda a descoberto das ações do banco, uma interdição que se manterá durante esta terça-feira. A medida, que tem como objetivo evitar movimentos especulativos, não parece ter dado muito resultado, mantendo-se a cotação das ações “muito volátil” nesta terça-feira.

Surreal” é a situação do banco

Na tarde de segunda-feira, o presidente indicado do banco, Amílcar Morais Pires, e outro executivo, Joaquim Goes, fizeram uma conferência com analistas para tentar acalmar os investidores. O resultado foi “surreal”, segundo fontes ouvidas pelo Expresso. As ações caíam mais 8% de manhã. A conferência foi às 15h30.Quando terminou, as ações deram um tombo ainda maior: fecharam o dia a desvalorizar 16,5%. Terminado junho, as ações valem menos 39,6%% que no início do mês.

A crise do BES tem-se acentuado desde que então ainda presidente do banco, Ricardo Salgado, teve de reconhecer gravíssimos problemas no Banco Espírito Santo de Angola, com 5,7 mil milhões de dólares “desaparecidos” das contas. A crise dentro da família que controla o banco e que levou à queda do próprio Salgado ainda não terminou, já que o administrador nomeado para suceder a Salgado na presidência, Amílcar Morais Pires, era o seu braço-direito e por isso levanta dúvidas a sua idoneidade.

A definição da presidência do banco ainda está assim pendente de uma decisão do Banco de Portugal. O próprio Banco Central Europeu já terá pressionado o Banco de Portugal para tomar uma decisão rápida, temendo que a demora ajude a degradar mais a situação.

Queda arrasta dívida pública e PT

A queda acentuada do BES na bolsa está a contaminar os juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário de títulos, que tiveram uma subida na segunda-feira, no mesmo dia em que a ministra Maria Luis Albuquerque disse não ver motivos “para achar que haja potenciais problemas de estabilidade" financeira resultantes da situação do BES.

Por seu lado, em três dias, as ações da Portugal Telecom caíram 16%, depois de a empresa ter esclarecido que tem 897 milhões de euros de papel comercial da Rioforte, uma entidade da família Espírito Santo que tem ativos não financeiros, e que a maior parte dessa aplicação vence a 15 de Julho. Nesta terça-feira, a empresa anunciou que Otávio de Azevedo e Fernando Magalhães Portella, os dois representantes brasileiros da Oi no conselho de administração da Portugal Telecom, renunciaram seus cargos, sem esclarecer os motivos.

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