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Quanto vale o nosso tempo, quanto vale a nossa vida?!

Quanto valerá o tempo das mulheres privadas do direito à maternidade, por serem obrigadas em diversas empresas a assinar o compromisso de não engravidarem durante cinco anos, para poderem trabalhar?!

O relatório “Austeridade, reformas laborais e desvalorização do trabalho”, elaborado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra alerta para o facto de as novas laborais representarem “uma apropriação gratuita de tempo de lazer dos trabalhadores, transformando-o em tempo de produção e, no caso do trabalho em feriados, na imposição mesmo de trabalho não remunerado”.

Para quem explora quem trabalha o adágio “tempo é dinheiro” tem todo o sentido! Ao contrário, para quem está no desemprego tempo não é, certamente, dinheiro, já que este sobra-lhe enquanto o outro é cada vez mais escasso. Também não o é para quem, trabalhando cada vez mais, vê os seus rendimentos emagrecerem.

E se o “tempo é dinheiro”, quanto valerá no mercado de trabalho o tempo das mulheres privadas do direito à maternidade, por serem obrigadas, em diversas empresas, a assinar um compromisso de não engravidarem durante cinco anos para poderem trabalhar?!

Estamos, cada vez mais, privados da utilização do tempo enquanto fonte de realização! O alargamento do horário de trabalho, a perda de feriados e de dias de férias, os atentados contra o direito à maternidade consubstanciam mais uma transferência de riqueza dos trabalhadores para as empresas e representam uma nova ofensiva contra o direito de prosseguirmos o ideário de uma vida com qualidade.

Para quem vende a sua “força de trabalho” o tempo é cada vez mais sinónimo de intensificação de obrigações, de uma espiral de tarefas que nunca estão totalmente concluídas, com a agravante de o trabalho que incorporou nas mercadorias não ser reconhecido. O conceito marxista de alienação continua a ter toda a atualidade já que o produto do trabalho aparece como alheio ao trabalhador que assim se torna uma mera mercadoria - a “força de trabalho”.

Quanto valerá o tempo dos trabalhadores e trabalhadoras explorados, dos desempregados e desempregadas e das mulheres privadas do direito à maternidade?

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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