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Índia: Vitória de Narendra Modi, da direita nacionalista

O Partido Bharatiya Janata, de direita nacionalista, inflige uma dura derrota na dinastia política dos Nehru-Gandhi, mas deverá implementar a nível nacional uma política neoliberal baseada em austeridade, privatizações e mais aperto sobre os salários dos trabalhadores indianos.
Narendra Modi governará pela primeira vez, em 25 anos, com maioria parlamentar. Foto de Mayur Bhatt, Ahmedabad
Narendra Modi governará pela primeira vez, em 25 anos, com maioria parlamentar. Foto de Mayur Bhatt, Ahmedabad

O triunfo do oposicionista Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata, de direita nacionalista constitui-se na maior vitória eleitoral da Índia nos últimos 30 anos, infligindo uma dura derrota na dinastia política dos Nehru-Gandhi, que dirigiu o pais, durante a maior parte do tempo, desde a vitória da independência na luta anticolonial.

A vitória de Modi já era antecipada pelo mercado financeiro, que apostava nesse resultado, e vai representar profundos ataques aos trabalhadores indianos, cuja situação de vida já é extremamente dura.

Maioria parlamentar

Pela primeira vez, em 25 anos, um partido governará com maioria parlamentar. Espera-se que a Aliança Democrática nacional, dirigida pelo PBJ, obtenha 340 das 543 cadeiras, e o Congresso Nacional Indiano, partido da elite gandhiana, apenas 44. Uma derrota avassaladora do seu oponente, Rahul Gandhi.

A vitória de Modi já era antecipada pelo mercado financeiro, que apostava nesse resultado, e vai representar profundos ataques aos trabalhadores indianos, cuja situação de vida já é extremamente dura.

A vitoria de Modi expressou mais do que nada a crise política da dinastia Gandhi, através do seu representante no governo o primeiro-ministro Manmohan Singh.

Durante o mandato de Singh, a corrupção foi uma constante, assim como a ineficácia do serviço e das instituições públicas, o que levou a um grande descrédito da população. Também no terreno económico, a Índia viu o seu crescimento económico desacelerado e, com a alta inflacionária, principalmente os trabalhadores sentiram no bolso os ataques, sofrendo com o aumento do preço da alimentação e outros bens necessários no quotidiano. O crescimento acelerado, para os padrões mundiais recessivos, vivido durante um certo período, não foi suficiente para garantir trabalho para milhões de jovens que tentam ingressar mensalmente no mercado de trabalho.

A vitória de um nacionalista com as mãos sujas de sangue

Modi foi durante três mandatos governador do estado de Gujarat. Foi um dos impulsionadores da organização de extrema-direita Rashtriya Swayamsevak Sangh (União Nacional Voluntária). Durante o seu primeiro mandato, em 2002, foi acusado de não ter impedido ou até mesmo de ter instigado violentos confrontos que levaram à morte de 1000 pessoas em Gujarat, na sua maioria muçulmanos. Processado, não se conseguiu provar a sua responsabilidade nesse episódio.

Com todo o respeito ao povo da Índia, a política desse país é um grave caso de ninho de bandidos. Segundo a Associação pelas Reformas Democráticas, 34% dos candidatos eleitos nestas eleições tem processos criminais contra eles. São acusados de ações como assassinato, sequestro e violação. Com relação às eleições passados, o número de “honoráveis” políticos aumentou 4%. Desse total, dos nove candidatos eleitos que têm processos por assassinato, quatro pertencem ao partido de Modi, o PBJ. Esses números falam por si e, sobre o quesito corrupção, é mais do que evidente o que será este novo governo.

Após a vitória, Modi dirigiu-se aos 1.250 milhões de indianos e falou das necessidades de se desenvolver mais a economia. Sabemos, pela sua trajetória no governo de Gujarat que, agora, irá implementar a nível nacional uma política neoliberal baseada em austeridade, privatizações e mais aperto sobre os já bem baixos salários dos trabalhadores indianos.

Convite de Obama

A importância da sua vitória, para as potências imperialistas, fez-se sentir de imediato com as congratulações e o convite, feito por Obama, para que visite a Casa Branca. Em 2005, sob a presidência de George W. Bush, foi-lhe negado o visto americano, já que uma lei impede a entrada de estrangeiros que tenham cometido severas violações da liberdade religiosa. Da mesma maneira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, predispõe-se a estender o tapete vermelho quando Modi vá a Londres.

A vitória de Modi não transformará a Índia na maior democracia do planeta, como afirmam erradamente a maioria dos analistas políticos, já que a esquerda, os comunistas dos diversos matizes estão banidos e na ilegalidade, impedindo, dessa maneira, que os trabalhadores elejam os seus próprios representantes.

Na Índia que Modi irá dirigir, continuará a guerra civil e a existência de dois governos, o oficial e também o das regiões dominadas pela guerrilha maoista no cinturão vermelho do Golfo de Bengala.

Apesar das suas promessas de campanha, com o seu passado político, não há como acreditar que o seu governo vá acabar com a violência, principalmente sexual, que atinge milhões de mulheres em todo o país.

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