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Para o povo, “saída limpa” foi mais desemprego e desigualdade

No Funchal, Marisa Matias cita ex-conselheiro de Durão Barroso que disse que o resgate de Portugal e da Grécia foi feito para salvar bancos alemães. “Para o Bloco não é novidade”, sublinhou, mas que isto seja dito pelo conselheiro económico que negociou o resgate é significativo, “porque destapa a mentira que andaram a vender ao povo português”.
Sala cheia no Funchal. Foto de Paulete Matos
Sala cheia no Funchal. Foto de Paulete Matos

Num almoço de campanha no Funchal, Marisa Matias sublinhou a importância das declarações do economista britânico Philippe Legrain, ex-conselheiro económico de Durão Barroso, que numa entrevista ao Público disse que o resgate da Grécia e de Portugal foram feitos para salvar a banca alemã. “Para nós, isso não é novidade”, disse a cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias. “Mas que isto seja dito pelo conselheiro económico que negociou o resgate é algo que não podemos deixar passar”.

Marisa Matias recordou que há muito que o Bloco vem afirmando que o resgate foi feito com o objetivo claro de repor os lucros do sistema financeiro à custa dos povos do Sul da Europa e do povo europeu. “Mas as declarações do conselheiro de Barroso são uma forma muito clara de destapar esta mentira que procuram vender ao povo português desde que a crise e o resgate começaram”.

A única saída limpa que existiu foi para a banca comercial alemã e para a banca comercial francesa. “Para o povo, a saída limpa foi mais desemprego, mais desigualdade, menos saúde, menos educação e uma dívida que não para de aumentar e é cada vez mais insustentável.”

Por isso, apelou a candidata do Bloco, "é tão importante que, no dia das eleições, o povo português vá votar de pé, de pé pela dignidade, de pé pelo respeito, de pé pela democracia, pelos direitos que estão a ser roubados".

Catarina Martins: socialistas capitulam à finança

Catarina Martins garantiu que o Bloco não falta a nenhuma luta, não falta a nenhuma batalha, não capitula perante a finança e não será nunca subserviente na Europa.

Em seguida, a coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, criticou o cabeça de lista do PS às europeias, Francisco Assis, por este ter citado o primeiro-ministro francês, François Hollande, e dito, como ele, que um país europeu não pode fazer grandes transformações. “Isto não é mais do que a completa capitulação dos socialistas à finança, à Alemanha de Angela Merkel, ao sistema financeiro que está a ser salvo, resgatado à custa do sacrifício e do empobrecimento de quem trabalha".

Catarina Martins garantiu que o Bloco não falta a nenhuma luta, não falta a nenhuma batalha, não capitula perante a finança e não será nunca subserviente na Europa. “Com o Bloco de Esquerda vamos às lutas que contam, como reestruturar a dívida, ter uma alternativa, querer o pleno emprego no centro das políticas da Europa, respeitando os povos, querer um futuro digno e decente com gente dentro", concluiu.

País exporta mão de obra qualificada

No almoço-comício falou também Deesy Pinto, mandatária da candidatura de Rodrigo Trancoso, o candidato do Bloco de Esquerda na Madeira ao Parlamento Europeu, que questionou a política de forçar os portugueses a emigrar para fugir ao desemprego.

“Eu própria sou filha de emigrantes, os meus pais foram para a Venezuela nos anos 70 e 80, explicou a mandatária, afirmando que, ao contrário daquele tempo, o país exporta agora mão de obra altamente qualificada, em que gastou dinheiro para educar e formar, para depois não lhes oferecer oportunidades de emprego. Chegou a hora de desobedecer a esta Europa do Tratado Orçamental, da austeridade permanente”, concluiu.

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