Miguel Guedes

Miguel Guedes

Músico e jurista. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990.

A dignificação da classe política é, mais do que nunca nos dias de hoje, um propósito fundamental para que a mesma se possa colocar a milhas de distância e, consequentemente, a salvo e protegida dos piores populismos que crescem à custa da demagogia e autoritarismos vários.

O espalhanço populista de Rui Rio na entrevista à TVI deixou bem claro que um candidato a "rei da integridade" pode passar, num ápice e por vontade própria, a "mestre do contorcionismo".

Ninguém, por mais longe que esteja politicamente do PSD, pode conceber que este partido tenha resolvido romper a cerca sanitária com o fascismo, a xenofobia, o racismo ou a misoginia.

Há quatro anos, imprevisibilidade e loucura eram dois predicados que ninguém negava a Donald Trump. Nos dias de hoje, de Trump só resta o que tem de louco e de incendiário.

É indecifrável a razão que leva milhares de pessoas às arribas da praia do Norte da Nazaré para ver ondas gigantes em plena pandemia. Sendo decifrável, é um desgosto.

É mais fácil dizer que fazer, ou outros adágios. As negociações do Governo tendo em vista a aprovação à esquerda do OE21 têm sido um simulacro de negociação por parte do PS.

O Estado não pode perder a cabeça com os seus cidadãos mesmo que os seus cidadãos percam a cabeça.

A decisão do PS de navegar à vista após a vitória nas últimas eleições, rejeitando acordos escritos à Esquerda para os quais (pelo menos) o Bloco de Esquerda sempre se mostrou disponível, criou condições para que uma crise política pudesse estar sempre ao virar da esquina.

Quando Ronald Reagan ganhou a América a Jimmy Carter, milhões de americanos sentiram que um terramoto tinha acabado de abanar a história do país.

A recusa em aceitar a realidade é um ponto de partida para a mentira, uma espécie de "pole position" forçada para impedir, por todos os meios, que quem vem atrás passe para a frente, ultrapasse. Chama-se, vulgarmente, batota.