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No Pasaran! Encontro Europeu Anti-Fascista em Atenas, 11 a 13 de Abril

O Encontro teve como objetivo trocar informação sobre a situação em cada país, partilhar experiências de luta e organização, e construir uma coordenação europeia anti-fascista. Mamadou Ba, ativista do Bloco de Esquerda, também esteve presente.
Foto publicada no facebook do portal left.gr
Durante os dias de 11 a 13 de Abril juntaram-se cerca de 3.000 pessoas em Atenas para participar nos debates, assembleias e atividades culturais do Encontro Europeu Anti-Fascista. Cerca de 80 ativistas de 20 países diferentes, em representação de 32 coletivos anti-fascistas, anti-racistas e feministas e organizações políticas, entre as quais Mamadou Ba do Bloco de Esquerda, estiveram presentes. Estes ativistas juntaram-se aos cerca de 30 coletivos anti-fascistas de Atenas e Pireus que organizaram o Encontro, os quais lutam quotidianamente contra o racismo, fascismo e austeridade na Grécia, em especial contra a Aurora Dourada.

O Encontro teve o objetivo de trocar informação sobre a situação em cada país, partilhar experiências de luta e organização, e construir uma coordenação europeia entre os vários movimentos anti-fascistas numa luta que é comum em toda a Europa perante a ameaça crescente da ideologia e violência fascista.

Durante os três dias debateram-se as causas do ascenso do fascismo, a sua ligação com a crise e o capitalismo e o papel desempenhado pelo Estado, bem como os desafios que se colocam à luta anti-fascista para travar esta ameaça. Coordenação ampla entre os vários coletivos, ação nas escolas, locais de trabalho e no desporto para prevenir o recrutamento e a difusão de ideias fascistas, maior conexão com as lutas contra o racismo, sexismo e homofobia na afirmação do direito à diferença e à auto-determinação do corpo, e entendimento de como o fascismo está intimamente ligado com as dinâmicas do capitalismo e quais os discursos dominantes que o sustentam, foram alguns dos aspetos em discussão. 

Realizaram-se 10 workshops sobre diversos temas, entre os quais um sobre a Europa Fortaleza e a necessidade de encerrar os campos de internamento e ampliar os direitos de cidadania de imigrantes e refugiadas; e outro sobre como os governos, em especial o grego, usam a teoria dos dois extremos em contexto de crise para perseguir a esquerda radical e as lutas sociais, legitimar a austeridade e implantar um estado de exceção permanente. Entre as atividades culturais passou o documentário Fascismo Inc., de visualização e difusão obrigatória. 
 
Nas assembleias foi discutida a situação internacional, com especial destaque para a Grécia, França, Ucrânia e Hungria onde grupos e partidos neo-nazis estão a crescer. 

Na França e Hungria as últimas eleições foram favoráveis à extrema-direita. No primeiro caso pelo contexto de crise que favorece o populismo e pela falta de compromisso da esquerda e dos sindicatos com a luta contra a austeridade, o racismo, o sexismo e a homofobia, o que leva a que entre os e as apoiantes da Frente Nacional estejam pessoas jovens, pertencentes à segunda geração de imigrantes e gente empobrecida e excluída pelas políticas liberais e austeritárias. No segundo, mencionou-se que o partido neo-fascista Jobbik subiu de 17 para 23% nas últimas eleições e conta com o apoio dos jovens universitários e das camadas empobrecidas das zonas rurais, muito devido às políticas governamentais adotadas nos últimos anos. 

Sobre o caso grego falou-se da ligação entre o partido neo-nazi Aurora Dourada e o governo de Samaras e de como o primeiro tem sido instrumental para sustentar as políticas governamentais de austeridade e tentar combater o crescimento da esquerda. Apesar disso, a resistência anti-fascista tem sabido mobilizar-se com a formação de coletivos por bairro e a criação de redes de coordenação entre os mesmos para consolidar uma intervenção consistente e continuada junto da população. Esta intervenção trabalha para combater a violência neo-nazi, como a que matou recentemente o rapper Pavlos Fyssas; recuperar o controlo de bairros da sua influência; combater o assédio sobre imigrantes; organizar festivais de celebração da diversidade; e protestos vários; mas também estes grupos desenvolvem ações solidárias para pessoas pobres e marginalizadas para prevenir que sejam atraídas pelo populismo neo-nazi e fortalecer a articulação da luta anti-austeridade com a luta anti-racista/sexista/homofobia na construção de alternativas sociais à crise capitalista. 

Na assembleia final apresentaram-se as conclusões das várias sessões de trabalho e delinearam-se as conclusões e decisões do Encontro:
Setenta anos após a II Guerra Mundial e a derrota do fascismo, a Europa enfrenta o crescimento de uma extrema-direita nazi e racista.
Os racistas e nazis têm, no entanto, um oponente que continua a crescer com força: o movimento massivo e plural que luta nas ruas em todo a Europa, não só contra o fascismo terrorista, como contra aqueles que os sustentam o protegem: políticas contra os movimentos sociais, comportamento policial arbitrário, totalitarismo neoliberal e o sistema que o impõe.
Nos dias 11, 12 e 13 de Abril de 2014, a resistência encontrou-se em Atenas e, através de assembleias, eventos políticos, workshops e discussões, partilhamos as nossas experiências e demos um passo significativo na organização da nossa solidariedade além fronteiras e luta anti-fascista concertadas por toda a Europa. Mandamos a nossa mensagem forte contra o fascismo, sexismo, racismo, totalitarismo de Estado e o capitalismo sem saída.
 
A Assembleia concluiu:
 
- Designar o sábado, 8 de Novembro de 2014, um dia de ação comum por toda a Europa, considerando que domingo, 9 de Novembro, é o aniversário negro da “noite de cristal”;
 
- Dias internacionais de comemoração e solidariedade das datas de assassinato de anti-fascistas por fascistas, através da organização de mobilizações simbólicas em cidades ou frente às embaixadas: quinta-feira, 18 de Setembro de 2014, faz um ano do assassinato de Pavlos Fyssas em Atenas, Grécia; 5 de Junho de 2014, faz um ano do assassinato do anti-fascista Clement Méric em Paris, França.
 
- Criar uma plataforma de internet commum de contra-informação, troca de informação e coordenação internacional efetiva de ações e solidariedades.

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Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, engenheira agrónoma.
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