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CT da Lusa diz que declarações de Poiares Maduro são insultuosas

Comissão de Trabalhadores da agência classifica de "irresponsáveis e ofensivas ao trabalho dos profissionais em questão" as afirmações do ministro da tutela no parlamento sobre a empresa e sobre os jornalistas da rede externa.
Fotografia da CT da RTP
"A cobertura de acontecimentos internacionais está seriamente ameaçada para prejuízo do serviço público de notícias". Fotografia da CT da RTP

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da agência Lusa classificou de "irresponsáveis e ofensivas ao trabalho dos profissionais em questão" as afirmações do ministro da tutela no parlamento. Quando questionado pelos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Ética, Cidadania e Comunicação sobre a rede de correspondentes internacionais da Lusa e a saída de alguns dos correspondentes da agência noticiosa, Poiares Maduro afirmou que "alguns dos contratos eram claramente elevados".

"Essa é uma questão que tem a ver com a própria gestão da empresa, mas o que me foi transmitido pela administração é que alguns dos contratos eram claramente elevados. Parece-me que alguns eram mais elevados do que os salários de deputados ou membros do Governo", disse o ministro, acrescentando que nalguns casos as pessoas só produziam "três ou quatro peças de jornalismo por mês".

Poiares Maduro acrescentou ainda que de acordo com a administração da agência noticiosa, "a cobertura nesses territórios continua plenamente assegurada."

Só pode constituir um ataque direto”

Perante estas declarações, os representantes dos trabalhadores entendem que a avaliação feita por Poiares Maduro sobre os ordenados "é insultuosa (...) e que vinda do ministro responsável pela Lusa só pode constituir um ataque direto ao trabalho dos profissionais da Lusa, a única agência de notícias do país".

"Vinda do ministro responsável pela Lusa só pode constituir um ataque direto ao trabalho dos profissionais da Lusa, a única agência de notícias do país".

A Comissão de Trabalhadores afirma que "a política de austeridade aplicada à rede externa da Lusa afetou os postos da África do Sul, Paris, Londres, Moscovo, Caracas, Toronto, Brasil e Berlim", uma situação que levou alguns dos jornalistas a "abandonar a empresa".

Cobertura de acontecimentos internacionais seriamente ameaçada

No caso dos jornalistas que não o fizeram, estes "viram o ordenado limitado, sendo que a cobertura de acontecimentos internacionais está seriamente ameaçada para prejuízo do serviço público de notícias".

Durante a audição, o ministro da tutela disse também que o Estado não reconhece a dívida à Lusa que está em contencioso nos tribunais e que continua a "conversar" com a empresa para resolver a situação, uma afirmação também contestada pela Comissão de Trabalhadores da agência.

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