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Os números do falhanço da guerra às drogas no Afeganistão

A Economist da semana passada chama a atenção para o testemunho de John Sopko, o Inspetor Geral para a Reconstrução do Afeganistão, acerca do resultado das operações de erradicação das plantações de ópio: 10 mil milhões de dólares desperdiçados dão o título à notícia.

Nomeado em 2012 por Obama, o papel de John Sopko é o de verificar se os 100 mil milhões de dólares gastos desde 2002 pelos contribuintes norte-americanos na "reconstrução" do Afeganistão ocupado estão a ser utilizados para os fins a que se destinavam, tarefa que o tornou uma figura impopular junto do Pentágono e da USAID, que distribuem boa parte daquelas verbas. Não admira, pois Sopko foi taxativo: um décimo desse dinheiro foi deitado ao lixo.

Numa entrevista à National Public Radio, o Inspetor-Geral não tem dúvidas que "se o objetivo era reduzir o cultivo, falhámos. Se o objetivo era reduzir a produção de ópio, falhámos. Se o objetivo era reduzir o financiamento destinado à insurgência, falhámos. Se o objetivo era destruir as ligações do narcotráfico e a influência corruptora, falhámos".

John Sopko, o Inspetor Geral para a Reconstrução do Afeganistão, não tem dúvidas que "se o objetivo era reduzir o cultivo, falhámos. Se o objetivo era reduzir a produção de ópio, falhámos. Se o objetivo era reduzir o financiamento destinado à insurgência, falhámos. Se o objetivo era destruir as ligações do narcotráfico e a influência corruptora, falhámos"

Os números da ONU confirmam o diagnóstico de John Sopko. A invasão norte-americana fez disparar a área de cultivo de ópio afegão, depois dos talibãs terem imposto em 2011 o quase desaparecimento das colheitas. Se é verdade que foram na altura acusados de terem necessidade de escoar a produção do ano anterior (e inflacionar os seus preços) mais do que de seguir um imperativo religioso contra o ópio, os números confirmam que a chegada das tropas dos EUA fez duplicar a área cultivada. Em 2013, a área de plantação atingiu um recorde, ao ultrapassar os 200 mil hectares. Para termos uma ideia, é aproximadamente a área total do distrito de Viana do Castelo ou de todas as ilhas do arquipélago dos Açores.

Segundo a “Economist”, há quem ache que o dinheiro não foi apenas desperdiçado, mas serviu para financiar os inimigos dos EUA no terreno. É o caso do professor de economia Jeffrey Clemens, que defende que a substituição de colheitas e fecho dos laboratórios de transformação do ópio foi feita nas zonas menos hostis aos ocupantes, transferindo-se para as áreas controladas pelos talibãs, que terão ganho à volta de 100 milhões de dólares com o negócio em 2011 e 2012, segundo as estimativas da ONU.

Publicado por Luís Branco no blogue Inflexão

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