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A certeza na frente, a história na mão

Não é possível acreditar numa instituição que não tem casos de sucesso. Não é possível acreditar num Governo que não conhece a realidade que o país atravessa. A política de austeridade nunca foi cura para a crise e Portugal não é exceção.

Não há quem compreenda os “técnicos especialistas entendidos do crescimento económico do FMI” e isso não se deve apenas à linguagem elaborada que utilizam. Deve-se ao facto de parecem um cão que persegue a própria cauda, andando em círculo sem chegar a lado algum. Não se trata apenas de mudarem de posição a cada avaliação que passa – e vamos já na 11ª -, mas ao facto de analisarem os dados concretos e chegarem a conclusões distintas, num mesmo documento.

O FMI vem sugerir, uma vez mais (e depois de ter reconhecido, em momentos passados, que não é uma solução viável), que se baixem os salários e facilitem os despedimentos. Afinal a precariedade em que estamos todos mergulhados não é suficiente para superar a crise; dizem, no mesmo documento, que a diminuição dos salários e a flexibilização dos despedimentos poderá “aumentar a competitividade” e, assim, “garantir a rápida criação de emprego”. Por outro lado, criticam a “ineficiência” das empresas que conseguiram reduzir os seus custos, mas fizeram-no através da supressão de postos de trabalho, ao invés da redução salarial. Bem sabemos que o sonho neoliberal é ter empresas a funcionar à base de trabalho voluntário, mas algo nesta análise não faz sentido: flexibilizar o despedimento para aumentar a criação de emprego é o mesmo que, permitam-me a expressão, bater em alguém para promover a não-violência.

A criação de emprego, diz o FMI, é a principal preocupação das políticas que sugerem. Acontece que não pode ser um fim em si mesmo. É preciso investir na economia portuguesa para construir novos postos de trabalho (é um aspeto central do combate à recessão económica), mas de pouco serve empregar pessoas em postos de 2 horas diárias para enganar as estatísticas. Há um país a empobrecer, famílias a viver na miséria, gerações a abandonar (a serem expulsos) o país e a esses pouco importam as estatísticas. Importam as soluções reais e não as fachadas que o Governo vai anunciando em tom de (pré-) campanha eleitoral.

Nós sabemos de que lado está o Governo: está do lado da mentira que insistem em manter. A mentira que nos responsabiliza por uma dívida que não contraímos, uma crise que não provocámos. Também sabemos de que lado está o PS: está do lado da “austeridade-moderada” (esse mito criado para iludir o eleitorado que menosprezam), está do lado do grande capital europeu e, para quem dúvidas houvesse, até decide celebrar o 25 de Abril ao lado dos alemães, com membros do governo Merkel.

Não é possível acreditar numa instituição que não tem casos de sucesso. Não é possível acreditar num Governo que não conhece a realidade que o país atravessa. A política de austeridade nunca foi cura para a crise e Portugal não é exceção. Dia 24 de Abril Todos os Rios Vão Dar ao Carmo para reivindicar a liberdade que nos roubam, dia após dia, através do estrangulamento económico, da privatização dos sectores estratégicos da sociedade, da degradação dos serviços essenciais a qualquer democracia, do não reconhecimento dos direitos fundamentais das minorias que não são minoritárias .

Há 40 anos atrás ganhámos a luta mais importante que nos envolvia: libertámo-nos da ditadura e construímos a democracia. Mas a batalha não terminou aí. Viver em democracia significa ter uma voz ativa e lutar pelos direitos fundamentais à nossa existência, significa que não podem decidir por nós, agir sem o nosso consentimento; significa que não podem governar o país em detrimento das pessoas. Somos nós que construímos a sociedade. A democracia sou eu, és tu, somos todos.

Dia 24 de Abril caminhamos em nome da Liberdade com “a certeza na frente, a história na mão” porque “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Eu vou. Vens também?

Sobre o/a autor(a)

Estudante do Ensino Superior. Membro da Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda.
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