You are here

"Nenhum país pode ficar melhor quando as pessoas podem ficar pior"

Catarina Martins acusou esta segunda-feira o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga de "indecência" por se sentir "muito sacrificado" ao revelar na imprensa que perdeu dinheiro ao aceitar um cargo na EDP. A coordenadora do Bloco classificou o Tratado Orçamental de “batota sobre a democracia” e defendeu a necessidade do seu referendo.
No jantar das jornadas parlamentares, em Olhão, intervieram ainda João Vasconcelos, Coordenadora Distrital de Faro, e Cecília Honório, deputada eleita pelo Algarve e vice-presidente do Grupo Parlamentar.

"Num país em que três em cada dez famílias não conseguem aquecer a casa, não conseguem ter energia porque não ganham para pagar a conta da luz, isto é indecência, isto é um insulto", declarou Catarina Martins em Olhão, num jantar com dezenas de militantes e apoiantes, no final do primeiro de dois dias de jornadas parlamentares do partido na região do Algarve.

"Hoje, não foi sem espanto que ouvi falar num homem que se tem sentido muito sacrificado neste país. Um homem que sente que está a perder com a ‘troika' e a austeridade. Eduardo Catroga, o homem que dizia que tinha influenciado o memorando da ‘troika' mas aparentemente já não se lembra disso", frisou ainda a coordenadora do partido.

Na sua intervenção, Catarina Martins reiterou a necessidade de se aumentar o salário mínimo nacional em Portugal.

O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga disse hoje que perdeu dinheiro ao aceitar, em fevereiro de 2012, o cargo de presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, cujo vencimento é de 35 mil euros por mês, noticia o Correio da Manhã.

Em carta enviada ao jornal, o responsável da elétrica sublinha que a sua remuneração foi "decidida pela comissão de vencimentos escolhida pela assembleia geral".

"Não chega a compensar totalmente o que deixei de ganhar pelo não exercício de outras funções de administração ou consultoria em empresas privadas", acrescentou Catroga.

Catarina Martins considerou ainda que o Tratado Orçamental é uma “batota sobre a democracia”, sublinhando que os cidadãos portugueses têm o direito de se pronunciar sobre as suas consequências através de um referendo, como o Bloco propôs no arranque das jornadas parlamentares.

"Existe algum consenso nos povos europeus para a austeridade permanente, a destruição permanente dos serviços públicos? Claro que não", declarou Catarina Martins.

"Nenhum país pode ficar melhor quando as pessoas podem ficar pior", advogou, dizendo ainda que o Tratado Orçamental representa uma "chantagem" para uma "austeridade permanente" e uma "gigantesca transferência de rendimento do trabalho para o capital".

No jantar das jornadas parlamentares, em Olhão, intervieram ainda João Vasconcelos, Coordenadora Distrital de Faro, e Cecília Honório, deputada eleita pelo Algarve e vice-presidente do Grupo Parlamentar.

(...)