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“Se os desempregados saíssem das redes sociais continuariam sem ter emprego”

Foto de Paulete Matos
Foto de Paulete Matos

Os maiores inimigos dos desempregados são a falta de emprego, a austeridade, as políticas de ajustamento e não as redes sociais, como diz Isabel Jonet, ou a culpa própria, denunciou a eurodeputada Marisa Matias aos microfones da Antena 1 desmontando a “tese paternalista” que faz parecer o desemprego como “uma espécie de vontade divina ou catástrofe natural”.

Nada disto “acontece por acaso”, o desemprego “não é um efeito secundário” e se 1,4 milhões de pessoas sem emprego saíssem das redes sociais, como recomenda Isabel Jonet, “continuariam sem ter emprego”, lembrou a eurodeputada do Bloco na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior.

O que tem vindo a acontecer com as políticas ditas de ajustamento, explicou Marisa Matias, “é uma profunda mudança social e ideológica na sociedade portuguesa” decorrente das medidas de austeridade que “usam o trabalho como única variante de ajustamento”. Por isso, “as contas públicas continuam incontroláveis, não há nenhuma consolidação orçamental e é por via da desvalorização do trabalho e dos salários” que se vão fazendo as mudanças, acrescentou.

“O maior problema de quem está desempregado é não haver políticas de criação de emprego”, prosseguiu a eurodeputada. “Insiste-se na obsessão do défice e da dívida” quando “não existe outra forma de recuperação económica que não seja combatendo o desemprego, repondo os salários e pensões”.

Marisa Matias sublinhou que os pequenos negócios, as pequenas e médias empresas são vítimas de uma economia onde não há poder de compra devido ao desemprego, às reduções de salários e pensões. Em Portugal, recordou, gastaram-se 1570 milhões de euros para recapitalizar a banca sem que fosse colocada nenhuma condição para que parte desse dinheiro fosse reinvestido na economia directa, designadamente em crédito às pequenas e médias empresas. E, no entanto, a criação de emprego e o crescimento da economia dependem do investimento privado e também do investimento público, que continuam a não existir.

Criação de emprego e crescimento dependem também da reestruturação da dívida, “de modo a libertar fundos” para o desenvolvimento, e não da “política que repõe lucros, favorece a especulação e trata os desempregados como se estivessem nessa situação por culpa própria”, afirmou a eurodeputada do Bloco de Esquerda.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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