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Grécia: Demissão no gabinete de Samaras por ligações aos neonazis do Aurora Dourada

Ilias Kasidiaris, deputado do Aurora Dourada, divulgou um vídeo no qual mantém uma conversa amigável com Takis Baltakos, um assessor próximo do primeiro-ministro Antonis Samaras, sobre a repressão contra o partido neonazi. Baltakos já apresentou a sua demissão.

No vídeo de 2,5 minutos partilhado na internet esta quarta-feira e cujas transcrições foram ainda divulgadas no parlamento grego, Takis Baltakus afirma que a repressão contra o partido nazi, na sequência do assassinato do cantor de hip hop anti-fascista Pavlos Fyssas, teve como objetivo conter a perda de votos da Nova Democracia, e que não havia nenhuma evidência que sustentasse esta ação.

Baltakus, identificado como pertencendo à ala mais à direita da Nova Democracia e como um dos conselheiros mais próximos de Samaras, adianta ainda que o ministro da Justiça, Haralambos Athanassiou, e o ministro do Interior, Nikos Dendias, apelaram às crenças religiosas da Procuradora Geral do Supremo Tribunal, Efterpi Goutzamani, para convencê-la de que o Aurora Dourada era um partido de “pagãos, idólatras, nazis que se opunham ao cristianismo”. O secretário-geral do executivo grego referiu ainda que Goutzamani se tornou Procuradora Geral por ser oriunda de uma aldeia próxima da aldeia de Samaras e que agora estaria a pagar a sua dívida para com o primeiro-ministro.

Ao anunciar a sua demissão, Baltakos explicou que, devido ao facto de o seu gabinete estar localizado perto dos gabinetes do Aurora Dourada, teve "encontros casuais frequentes com deputados desse partido” e que, num desses encontros, após a detenção dos deputados Michaloliakos, Pappas e Lagos, Kasidiaris terá pedido para vê-lo em particular.

Durante a conversa, Kasidiris terá acusado Baltakos de participar numa conspiração contra o partido neonazi, sendo que tudo o que o secretário-geral do executivo grego disse terá sido para se “livrar da pressão” a que estava a ser sujeito.

O silêncio culpado do governo grego

Segundo o Syriza, Samaras “é pessoalmente responsável por todos os acontecimentos”, salientando o facto de o porta-voz do governo ainda não ter encontrado tempo para comentar o caso Baltakos.

“O silêncio culpado do governo é indicativo das suas graves responsabilidades no que respeita à sua postura contra o partido Aurora Dourada, bem como às relações subterrâneas entre responsáveis governamentais e o partido neonazi”, avançou o Syriza.

Quem é Takis Baltakos?

O EnetEnglish refere que Takis Baltakos foi nomeado por Antonis Samaras para o cargo em 2012 e que, em dezembro desse ano, declarou, perante o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Kostis Papaioannou, que, enquanto representante do governo e da Nova Democracia, não se importava “com o trabalho da comissão e os direitos humanos , nem com as obrigações internacionais do país".

Em 2013, Baltakos terá dito ainda que a cooperação entre a Nova Democracia e o Aurora Dourada em futuras eleições era " indesejável, mas não uma possibilidade improvável ".

No mesmo ano, o secretário-geral de Antonis Samaras contribuiu para bloquear uma lei antirracista e foi uma das vozes que se opôs às ações contra os membros do partido neonazi.

Na semana passada, Baltakos afirmou que foi anticomunista durante toda a sua vida e que a esquerda grega tem atormentado o país desde 1942, ano em que se muniu de armas para lutar contra a ocupação nazi.

Baltakos Gate (English subs)

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