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Portugal é Capaz… de ir ao Fundo

“Portugal é capaz” foi um dos lemas projetados, quando Paulo Portas discursava, no encerramento do congresso. E com estas políticas de direita é bem capaz de ir ao fundo.

Ao contrário de muita gente, de várias sensibilidades políticas, não acho de difícil compreensão a capacidade de sobrevivência de Paulo Portas e do projeto do CDS-PP. Revestem-se de mentiras descaradas mas de uma grande perceção do medo que conseguem gerar na sociedade. Entre o partido do contribuinte e uma fatura de um leitão da Mealhada, haverá sempre um provérbio esclarecedor.

“O que tem de ser tem muita força!” – anunciava o agora Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas, numa tentativa de explicar o irrevogável (ou o inexplicável). Mas como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, o melhor mesmo é seguir em frente por para a frente é que é o caminho. E desbobinando o leque de provérbios e frases feitas com que o CDS fez e faz as suas manobras políticas, rapidamente chegamos aos slogans vazios que vão enchendo cartazes e outdoors de uma direita conservadora que se esconde nas palavras de “Centro Democrático e Social”.

No entanto, exige-se à esquerda que não retire destes discursos vazios, reflexões feitas pela rama. No fundo, no fundo, estes slogans estão cheios de conteúdo, incorporam o maior ataque à democracia, tentam esmigalhar o debate político porque o reveste de fantasia e são, por isso, um retrocesso civilizacional.

O inimaginável acontece quando uma demissão de Paulo Portas traz mais força dentro da coligação e ganha a pasta da Economia. Ou quando ouvimos o partido do contribuinte cortar nas reformas mais baixas. Ou vemos o projeto cheque ensino acontecer e desviar o dinheiro dos contribuintes para o ensino privado.

Mas haja alguém neste país que faça contas à vida e nos diga quanto tempo falta para celebrarmos a saída da troika e o fim do programa de “assistência financeira”. E porque “Agora é o Momento” (slogan do CDS-PP na campanha das últimas legislativas), já percebemos bem porque é que o CDS sempre continuará diferente do PSD. É perspicaz na análise que faz da própria coligação da qual faz parte. Quer manter a sua diferença porque foi assim que fez crescer a sua influência nas grandes decisões económicas e financeiras. O CDS, a bem dizer, quer disputar os corredores do poder que se joga no domínio privado, onde tem hoje muito mais cadeiras nos conselhos de administração de empresas privadas e compete com o PS e PSD nesse campeonato.

Sempre deram corpo aos seus slogans, mas da pior forma. “Não brincamos aos políticos”, como afirmava Nuno Melo nas centenas de outdoors das últimas eleições Europeias, é verdade. São profissionais da política da direita, do interesse privado, da especulação financeira, da destruição do Estado Social e do ataque à Constituição, à perseguição dos mais pobres, ganhando o voto pelo medo e pela fantasia.

“Portugal é capaz” foi um dos lemas projetados, quando Paulo Portas discursava, no encerramento do congresso. E com estas políticas de direita é bem capaz de ir ao fundo.

Sobre o/a autor(a)

Museólogo. Deputado e membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
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