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Piratas da NSA infiltram vírus no aparelho circulatório da internet

A rede informática duma empresa que gere o cabo submarino das comunicações entre a Europa, Norte de África e Ásia foi infetada para os EUA terem acesso ao seu tráfego.
Os cabos submarinos transportam as comunicações eletrónicas à volta do mundo, com a NSA sempre à escuta...

A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) introduziu um virus na rede informática do consórcio Orange, que gere um cabo submarino estratégico de comunicações que liga a França à África do Norte e à Ásia, de acordo com a agência Médiapart citando a alemã Der Spiegel e documentos divulgados por Edward Snowden.

A Orange faz parte de um conjunto de 16 empresas pirateadas por um grupo de hackers (piratas informáticos) contratados por aquela instituição norte-americana de espionagem universal.

Segundo os documentos de Edward Snowden, os serviços norte-americanos introduziram um virus informático na rede da organização que gere o cabo submarino chamado "SEA-ME-WE-4". Este cabo parte de Marselha e envia comunicação, telefónica e informática, para a Tunísia, a Argélia, o Egipto, a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos, Paquistão, Índia, Bangladesh, Tailândia, Malásia e Singapura.

Estes cabos submarinos fornecem uma quantidade incalculável de informação a quem os controla. São cerca de 250 em todo o mundo e formam um aparelho circulatório da internet à escala planetária, através do qual corre a quase totalidade das comunicações. Cada cabo estabelece pontes entre vários países ou continentes e liga uma série de pontos de entrada, designados Internet Exchange Points, que depois redistribuem o tráfego no interior do respetivo território. O cabo do sul de França parte do "Marseille Internet Exchange" e é gerido por um consórcio de 16 sociedades, entre as quais o grupo de telecomunicações Orange.

À primeira vista o operador não tem responsabilidades na espionagem. Segundo um documento Top Secret fornecido por Snowden à Der Spiegel, uma unidade especial de pirataria informática ao serviço da NSA, chamada Office of Tailored Access Operation, ou TAO, realiza as operações de introdução dos vírus.

Para realizar o ataque em França, a NSA serviu-se de uma técnica chamada "QUANTUMINSERT", já utilizada pelos serviços britânicos de espionagem GCHQ para infiltrar os computadores dos clientes da operadora belga Belgacom e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Segundo um documento da TAO conhecido através de Edward Snowden, esta infiltração foi apenas um princípio, porque "outras operações estão previstas para o futuro".

A TAO opera a partir de San António, na Califórnia e, segundo Snowden, tem por hábito aproveitar as numerosas falhas de segurança de produtos informáticos de empresas como a Microsoft, a Cisco ou a chinesa Huawei. Também efetua «ataques agressivos» contra determinados objetivos : Der Spiegel revela que nos últimos dez anos foram atingidos 258 alvos em 89 países.

Keith Alexander, diretor da NSA, esteve presente em reuniões de piratas informáticos realizadas através dos Estados Unidos durante os últimos anos. A NSA considera que os piratas são "bombeiros informáticos" e não é o único serviço de espionagem  a recorrer aos seus serviços.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu

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