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Manifestação na Ucrânia ressuscita chefe fascista

A influência do grupo neonazi Svoboda – que obteve 10% e 37 deputados nas últimas eleições – tem sido visível nos protestos apresentados como "pró-europeus" à opinião pública internacional.
Manifestação promovida pelos neonazis em homenagem a Stepan Bandera juntou milhares em Kiev.

O Svoboda de Oleg Tyanybok juntou milhares de pessoas em Kiev num desfile evocativo de Stepan Bandera, um terrorista fascista que celebrou acordos com Hitler quando este iniciou a invasão da União Soviética, integrou o governo colaboracionista e acabou deportado para o campo de concentração de Saschenhausen – por exigir mais do que Hitler lhe concedia -  de onde foi libertado em 1944.

Chefe da Organização Nacionalista Ucraniana, “facção Bandera”, e do Exército Revolucionário Ucraniano (UPA), Stepan Bandera defendeu sempre a criação de uma Ucrânia independente de índole fascista - para “ucranianos puros”. Os seus herdeiros políticos, o partido Svoboda, que até 2004 se designou Partido Social Nacionalista, promovem anualmente uma marcha de homenagem por ocasião do seu aniversário, 1 de Janeiro. Bandera nasceu em 1909 e terá sido assassinado pelo KGB em 1959 na Alemanha, onde vivia.

A única ligação entre Stepan Bandera e o “pró-europeísmo” que tem caracterizado a actual vaga de manifestações na Ucrânia terá sido o facto de durante a Guerra Fria os seus operacionais clandestinos do UPA terem sido largados por aviões da NATO sobre espaço soviético.

O Svoboda pretende  fazer crer que a sua posição actual não se identifica com a ideologia de Stepan Bandera. “O nacionalismo não tem nada a ver com o nazismo e muito menos com os fascismo”, afirmou Oleg Tyanybok. “É por isso que estas marchas são importantes para pôr fim às histórias de horror inventadas pelos comunistas e a polícia secreta da era soviética”, acrescentou.

As palavras do chefe do Svoboda não se harmonizam com outras declarações suas e de deputados do partido no Parlamento de Kiev. Eleitos do partido consideram que a luta contra o actual presidente Yanukovich é um combate contra “a judiaria organizada” ou, como disse o próprio Tyanybok, contra “a mafia moscovito-judaica”.

As actividades terroristas de Stepan Bandera entre guerras caracterizou-se pela organização e participação em numerosos pogroms contra judeus na Polónia e na própria Ucrânia, em sintonia com os comportamentos hitlerianos.

A evocação de figuras como Stepan Bandera e o crescimento e activismo de grupos como Svoboda é o equivalente na Ucrânia aos esforços para reescrever a história em relação aos nacionalismos e aos colaboracionismos que se desenvolvem em todo o Leste da Europa designadamente na Hungria, Estónia, Letónia, Lituânia, República Checa e Eslováquia.
 


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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