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Autarcas de Évora querem explicações da Câmara sobre exploração mineira

Por iniciativa do Bloco de Esquerda, a Assembleia Municipal de Évora aprovou por unanimidade uma resolução para que sejam divulgados os custos e benefícios do projeto mineiro para a Serra do Monfurado.
Aspeto atual da paisagem onde a empresa canadiana quer explorar minério. Foto JRdS/minadaboafe.wordpress.com

O projeto de exploração já existe e está a cargo da empresa canadiana Colt Resources, mas os habitantes da região abrangida pela Rede Natura 2000 da Serra de Monfurado não querem ver repetida uma história muito conhecida: ao fim de poucos anos, a empresa faz as malas e deixa um desastre ecológico a céu aberto que a população local terá de suportar nas próximas gerações. Na recomendação aprovada por todos os deputados municipais eborenses, o Bloco lembra justamente “que a norma das explorações mineiras é o abandono após a fase mais produtiva para as empresas, de que resultam 175 minas abandonadas em Portugal e mais de 21.000 num dos paraísos mineiros: o Canadá”.

Os autarcas de Évora querem saber as razões do executivo camarário ter alterado a sua posição. Primeiro a Câmara afirmou que não daria parecer favorável à exploração mineira na zona da Boa Fé, e fê-lo constar no Parecer da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacte Ambiental. Mas na véspera de Natal, o presidente da Câmara eleito há dois meses assinou um ofício de resposta à proposta bloquista de o Bloco de Esquerda com a posição contrária. “Defendemos que o projecto poderá avançar se for compatível com os valores ambientais em presença e assegurar a reposição do terreno após exploração”, diz Carlos Pinto de Sá, eleito pela CDU.

A recomendação aprovada na Assembleia dá ao executivo camarário três meses para divulgar “os dados que atestam as vantagens económicas deste projecto para a região de Évora, e que justificam a mudança introduzida na posição anteriormente apresentada às entidades públicas sobre a matéria”. Os deputados municipais querem ver nessas contas os valores previstos de custos com manutenção de infraestruturas, sejam viárias ou de tratamento de esgotos e distribuição de água, monitorização continuada dos riscos para a saúde pública e por muitos anos após a mina ser abandonada, prejuízos nas árvores e produções hortícolas fora do estrito perímetro do Estudo de Impacte Ambiental, impacto economico no turismo, agricultura e silvicultura.

Os deputados eborenses querem também saber quanto é que a Câmara vai pedir à empresa a título de caução “para que possam ser minimizados os danos provocados por um eventual abandono prematuro da exploração e cobertos os danos em património natural e edificado”. O Bloco de Esquerda lembra que o projecto mineiro de ouro de Corcoesto, na Galiza, “foi inviabilizado há algumas semanas, entre outras razões, porque o governo galego exigiu a cativação prévia pela empresa de 25% do dinheiro necessário para toda a exploração, tendo esta recusado tal exigência”.

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