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Escândalo de corrupção abala governo turco

O primeiro-ministro Erdogan acredita que também é alvo de investigações e remodelou mais de metade do governo.
Erdogan resistiu às manifestações do verão, mas já é confrontado até pelos seus ministros. Foto Fortum Sverige/Flicke

Três ministros demitiram-se dos seus cargos após as notícias sobre o seu envolvimento numa rede de subornos e lavagem de dinheiro que levou à prisão de 24 pessoas, entre elas o presidente do banco público Halkbank. Os filhos dos ministros da Economia, Interior e Ambiente também foram detidos na mesma operação, bem como um grande construtor civil e vários funcionários públicos. As investigações centram-se no pagamento de subornos para licenciamento de obras que não cumpririam as regras legais para a construção em determinadas zonas.

As demissões dos três ministros levaram o primeiro-ministro a mudar mais de metade do seu governo, aproveitando também a proximidade das eleições municipais para “libertar” alguns prováveis candidatos para a campanha. Recep Tayyip Erdogan vê-se assim envolvido em mais uma grave crise política, após os protestos que incendiaram as maiores cidades turcas no verão. 

Em declarações ao diário Hurriyet, o primeiro-ministro disse que os que o querem envolver no escândalo “irão sair de mãos vazias”. Numa declaração inédita em dez anos de governo, um dos ministros pressionados para se demitir pediu abertamente a Erdogan que seguisse o seu exemplo, sugerindo que também ele está envolvido nalguns negócios alvos da investigação. Para além da remodelação governamental, Erdogan também remodelou mais de uma dezena de postos importantes ao nível policial e judicial. 

“Vamos arrancar as maçãs podres onde seja preciso”, afirmou na quarta-feira em mensagem televisiva, citado pelo New York Times, que afirma que Erdogan está a apontar baterias às figuras próximas do imã Fethullah Gulen, que vive no exílio nos Estados Unidos mas tem muitos seguidores na Turquia e goza de alguma influência no meio judicial. 

Ao contrário dos protestos que mobilizaram a esquerda e os republicanos secularistas no passado verão, abalando a imagem autoritária e conservadora do regime de Erdogan, desta vez a imprensa dá conta de uma guerra dentro das estruturas do poder do AKP. Enquanto isso, os turcos vêem desfilar nas televisões fotografias de pilhas de dinheiro no quarto dos filhos dos ministros demitidos, ou de 4,5 milhões de dólares guardados pelo diretor de um banco em caixas de sapatos.  

As manifestações de protesto e pela demissão do Governo levaram milhares de pessoas às ruas de Ankara, Izmir e Istambul, onde se registaram confrontos com a polícia a disparar gás lacrimogéneo sobre os manifestantes.

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