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As greves que vão marcar os últimos dias do ano

Os trabalhadores da Carris e dos TST paralisam a partir das 18h desta terça-feira e no dia de Natal, repetindo o protesto na véspera e dia de ano novo. No Porto, os STCP paralisam a 24 e 31. Aeroportos, correios, caminhos de ferro hotelaria e recolha do lixo são outros setores com greves agendadas para esta semana.
O Pai Natal conseguiu escapar aos serviços mínimos decretados para a greve da Carris dias 24, 25, 31 de dezembro e 1 de janeiro.

Já esta terça-feira, os autocarros da Carris e dos Transportes Sul do Tejo vão começar a escassear ao fim da tarde, com o protesto a ter início às 18h. Trata-se da “continuação daquilo que é a luta dos trabalhadores contra a aplicação dos novos roubos definidos quer no Orçamento de Estado, quer no decreto-lei 133/2013 (setor público empresarial)”, explicou à agência Lusa  Manuel Leal, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans).

Mais uma vez, foram decretados serviços mínimos que a Fectrans classifica de “ilegais”, com a Carris a anunciar que assegurará 50% da oferta em onze das principais carreiras de autocarros de Lisboa. “À semelhança do que tem sido o processo de luta levado a cabo pelos trabalhadores da Carris, esta (greve) também terá uma adesão significativa”, previu o sindicalista da Fectrans. As organizações representativas dos trabalhadores da Carris voltam a reunir a 2 de janeiro para “dar continuidade a este processo de luta”, concluiu.

Nos Transportes Sul do Tejo, que cobrem a Península de Setúbal, a agenda da greve convocada pelos motoristas é a mesma da Carris: a partir das 18h dos dias 24 e 31 e todo o dia de Natal e Ano Novo. Estes trabalhadores protestam contra a falta de diálogo por parte da empresa, que acusam de se recusar a negociar. "O Sindicato Nacional dos Motoristas tudo fez para que a Paz Social fosse preservada na Empresa, mas esta Paz não depende só de si. Os TST insistem em ignorar os seus Motoristas. É chegada a hora dos Motoristas dos TST demonstrarem o seu descontentamento e, simultaneamente, demonstrarem que não admitem ser ignorados”, diz o comunicado do sindicato a apelar a esta paralisação.

No Porto, a greve dos motoristas dos STCP dura todo o dia de véspera de Natal e repete na véspera de ano novo, com novo pré-aviso de 24 horas. Os serviços mínimos serão assegurados em quatro linhas, anunciou a empresa de transportes coletivos do Porto. 

Nos aeroportos, os trabalhadores do setor do handling também se queixam de falta de abertura por parte da adminstração da SPdH/Groundforce para resolver os problemas ligados à sobrecarga horária de muitos trabalhadores. Depois de mais uma reunião sem resultados no passado dia 19, prevalece a decisão do plenário para avançar com a greve. Esta terça-feira e no dia 31 de dezembro os trabalhadores vão paralisar em defesa das alterações à Organização dos Tempos de Trabalho na empresa. 

Também esta terça-feira tem início a greve na recolha do lixo pelos trabalhadores municipais. A Divisão de Limpeza Urbana vai paralisar até dia 28 de dezembro, acompanhados dos restantes trabalhadores do município no dia 26. A greve ao trabalho extraordinário estende-se até ao dia 5 de janeiro. Segundo o pré-aviso de greve do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), os trabalhadores estão em luta “contra a privatização de serviços públicos essenciais na CML” e o “esvaziamento de atribuições de serviços” dependentes da autarquia lisboeta. E defendem também “o pagamento do suplemento de trabalho noturno no respetivo trabalho extraordinário a todos os trabalhadores, nomeadamente no Regimento de Sapadores Bombeiros”, entre outras reivindicações.

No setor ferroviário, prossegue a greve ao trabalho extraordinário até 2 de janeiro na CP, CP Carga e EMEF contra a redução dos salários e a destruição da contratação colectiva. E os Correios têm nova paralisação geral marcada para o dia 27 de dezembro, contra o desmantelamento dos serviços sociais da empresa e a sua total privatização.

Nas regiões autónomas, os voos da SATA Air Açores continuarão a ser afetados até 6 de janeiro pela greve parcial na primeira e última hora de cada turno, que decorre desde dia 19 convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC). O SINTAC queixa-se de “vingança” da administração contra os seus associados que recusaram assinar o memorando proposto, tendo-lhes retirado do ordenado “valores já pagos pelo trabalho efetuado com retroativos a Junho de 2013” e imposto uma regressão das suas carreiras, baixando o ordenado base para os valores anteriores aos das progresões deste ano, feitas ao abrigo do Acordo de Empresa. “Se dúvidas existiam sobre a postura deste C.A., e do Governo Regional do Açores, dissiparam-se com este ataque, único na história da Empresa”, acusa o SINTAC. Na Madeira, o setor da hotelaria está em luta pelo pagamento do trabalho nos dias feriados de acordo com o acordado na convenção coletiva. Os trabalhadores criticam a postura da Associação Comercial e Industrial do Funchal, que remeteu a decisão sobre o pagamento a cada empregador, com a maioria a querer pagar a 25% na primeira hora e 37,5% nas seguintes no trabalho extraordinário na passagem do ano.

A noite de “revéillon” também tem greve marcada num dos hotéis de cinco estrelas do Algarve, o Algarve Casino. Os trabalhadores querem discutir o caderno reivindicativo para 2014 e exigem ver aplicado o contrato coletivo de trabalho negociado entre a associação hoteleira da região e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve.  

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