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Politécnicos exigem demissão do ministro Nuno Crato

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) acusa o ministro da Educação de "descredibilizar" a atividade da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e frisa que "não existem condições de confiança" para Nuno Crato "continuar a tutelar o ensino superior".
Foto André Koesters/Lusa

Numa carta aberta endereçada ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o CCISP refere que Nuno Crato "colocou em causa, de modo explícito, e sem qualquer fundamento factual, a formação ministrada nas escolas superiores de educação, vincando uma diferenciação depreciadora entre a qualidade de formação ministrada nestas instituições e a formação dada nas universidades".

Segundo os politécnicos, as declarações do ministro da Educação "desautorizam" e "descredibilizam" a atividade da A3ES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, "entidade criada pelo Estado em 2007 e cuja missão é precisamente garantir a qualidade dos cursos do ensino superior".

O CCISP lembra ainda que o "desempenho" das escolas superiores de educação tem "sido sublinhado por todas as avaliações externas realizadas pelas organizações mais prestigiadas internacionalmente, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e a Associação das Universidades Europeias".

Segundo o Conselho Coordenador dos politécnicos, as palavras de Nuno Crato não são um ato isolado e relevam “um preconceito ideológico” quanto às escolas superiores de educação, “já manifesto enquanto comentador e opinion maker, mas inaceitável no seu estatuto de ministro da Educação e Ciência”.

Trata-se de um "incidente da máxima gravidade, com impacto profundo na imagem social das instituições, dos seus profissionais, estudantes e diplomados", avança o CCISP, defendendo que "a postura assumida pelo ministro pode condicionar gravemente o futuro do desenvolvimento e da consolidação do sistema de ensino superior português".

No documento, subscrito pelos responsáveis por 17 escolas superiores, é sublinhado que “não existem condições de confiança para o senhor ministro continuar a tutelar o ensino superior”.

O CCISP reage assim às declarações de Nuno Crato, que afirmou que o sistema de formação de professores "tem várias falhas", entre as quais a preparação dos candidatos "à entrada para os cursos de habilitação à docência" e também a preparação à saída do curso, particularmente nos casos em que as licenciaturas não foram adquiridas em universidades.

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