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Egito: Três líderes do levante de 2011 condenados a 3 anos de prisão

Dirigentes do movimento 6 de Abril são perseguidos ao abrigo de uma nova lei que praticamente torna ilegais quaisquer manifestações. Depois de atacar a oposição islamista, governo militar mostra agora intenção de eliminar toda a oposição.
Ahmed Maher: ajudou a derrubar Mubarak e agora enfrenta a cadeia. Foto wikimedia commons

Três dos principais dirigentes da revolução egípcia de 2001 que derrubou a ditadura de Hosni Mubarak foram condenados a penas de prisão de três anos e ao pagamento de multa por violarem uma nova lei aprovada em novembro e que praticamente impede a realização de manifestações.

Ahmed Maher, Ahmed Douma e Mohamed Adel, dirigentes do movimento 6 de Abril, que teve um papel decisivo nas manifestações que levaram ao derrube de Mubarak, tinham também sido perseguidos pelo governo de Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, quando em julho passado participaram das manifestações pela sua demissão.

O golpe de Estado militar de julho derrubou Morsi e pôs na presidência interina Adly Mansour e no poder de facto o general Al-Sisi, cehfe das Forças Armadas. Depois de desencadear uma violenta repressão contra a Irmandade, vira-se agora contra a oposição laica, acusam ativistas ouvidos pelo The Guardian. “A repressão que está em curso atualmente contra o movimento e outras ONG é até maior que aquela que vivemos nos tempos de Mubarak”, disse ao jornal britânico Amr Ali, que sucedeu a Maher na liderança do 6 de Abril. “O regime de Mubarak está a tentar reconquistar o poder e lança-se numa sistemática vingança contra os grupos e movimentos que foram contra ele”.

E concluiu: “Os que governam hoje estão mais ou menos dependentes de uma política de medo – em nome da luta contra o terrorismo e o combate aos islamistas”

Dezenas de outros ativistas laicos também foram processados e aguardam sentenças por acusações semelhantes, como Alaa Abd El Fattah, outro dirigente do levante de 2011.

O Centro Egípcio para os Direitos Humanos e Sociais foi invadido pela polícia na quinta-feira. Esta ONG despertou a fúria do governo militar ao dar apoio jurídico a trabalhadores em greve e aos refugiados sírios.

Entrevista no Esquerda.net

Em fevereiro de 2011, o Esquerda.net entrevistou Ahmed Maher e outro ativista do 6 de Abril, Mohammed Adel. Vale a pena relembrar a entrevista: "Da Internet à Praça Tahrir"

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