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Chefe da missão do FMI insiste em baixar salários

Subir Lall, o técnico indiano que fala em nome da troika, voltou a insistir em entrevista ao Expresso que o FMI acha que ainda há muito que fazer para “flexibilizar” o mercado de trabalho e assim baixar os salários. E rejeita qualquer ideia de rever as metas do défice.
Subir Lall, ao centro, diz que Christine Lagarde foi mal traduzida. Foto de José Sena Goulão

Numa entrevista ao semanário Expresso, Subir Lall afirmou que o que interessa ao FMI atualmente é “alterar os salários para refletir a produtividade”. O indiano chefe da missão do FMI para Portugal repetiu várias vezes a mesma ideia, afirmando que para isso é preciso “flexibilizar” mais o mercado de trabalho – leia-se, facilitar mais os despedimentos. E, para que não restem dúvidas, afirma: “A questão não é tanto despedir para as empresas se ajustarem, mas alterar os salários para refletir a produtividade”.

Recorde-se que as mais recentes estatísticas referentes ao terceiro trimestre do ano mostram que Portugal foi o país que registou a redução mais acentuada de salários e também de produtividade entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). As remunerações por unidade produzida em Portugal caíram 1,4% . Mas, ao contrário do esquema “salários mais baixos = produtividade mais alta preconizado pelo FMI, a estatística mostra que a produtividade desceu também 1%.

Meta do défice não muda

Subir Lall afirma que a troika não admite fazer a revisão da meta do défice para 2014 depois do chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões, e afirma aguardar as medidas alternativas que o governo irá apresentar. Sem estas medidas, a décima avaliação do programa de assistência financeira fica em aberto, adverte.

Perguntado sobre a afirmação de Christine Lagarde que para o FMI é uma “questão de honra” admitir os erros, Subir Lall diz: “Erros... pode haver uma questão de tradução aí”.

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