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Irlanda está vinculada a um “programa de austeridade permanente”

No próximo ano, os irlandeses serão confrontados com novos cortes orçamentais de milhares de milhões de euros, pagamentos de juros da dívida de 1000 milhões de euros, uma produção industrial em declínio, um crescimento económico praticamente nulo e o retorno alarmante da bolha imobiliária, alerta Richard Boyd Barrett, deputado irlandês do People Before Profit/United Left Alliance.
Foto de infomatique, Flickr.

Segundo o responsável pela pasta das Finanças do partido People Before Profit Alliance,entre as várias exigências da UE e as decorrentes do Tratado Fiscal, bem como a supervisão pós-programa da troika, a economia da Irlanda vai permanecer firmemente no controlo das mesmas pessoas que estavam no controlo durante o programa de assistência.

“Todo este entusiasmo e agitação em torno do suposto fim do programa são bastante ridículos. No próximo ano, o governo terá de implementar novos cortes de milhares de milhões de euros e permaneceremos ainda totalmente vigiados e monitorizados pela UE e FMI. Eles já não precisam de um programa para nos controlar, já que o governo vinculou-nos a um programa de austeridade permanente denominado tratado fiscal”, frisou o deputado da United Left Alliance[i].

“O nível de controlo externo sobre a economia irlandesa é ainda maior por causa do fardo da dívida massiva que estamos a ser obrigados a pagar todos os anos durante os próximos 20 anos”, acrescentou.

Lembrando que, em 2014, a Irlanda terá que pagar 1000 milhões apenas em juros, Boyd Barrett lamentou que “tantos milhares de milhões que deveriam ir para a educação, saúde, programas de emprego e investimento estratégico” continuem a “ser desviados para fora do país, enquanto a economia se mantém de joelhos”.

“As notícias de que a produção industrial caiu 11,6% em outubro e que a produção está a abrandar na Europa como um todo são alarmantes. Apesar de todas as alegações do governo sobre novos empregos, o crescimento necessário para pagar estas dívidas massivas e recuperar a economia simplesmente não está a acontecer”, afirmou o deputado irlandês, referindo que “a razão pela qual o governo pode reclamar ter aumentado ligeiramente o número de empregos deve-se ao facto dos mesmos serem extremamente mal pagos ou serem esquemas que não dão impulso à economia em geral”.

Richard Boyd Barrettalerta ainda que “uma das coisas mais alarmantes atualmente é que se está a desenvolver uma nova bolha imobiliária, particularmente em Dublin”.

“Inacreditavelmente, esta bolha está a ser alimentada pelo governo que está novamente a pôr em prática reduções fiscais para encorajar os grandes especuladores imobiliários a faturar com propriedades baratas e aumento das rendas. Isto está a acontecer quando a crise imobiliária e dos sem abrigo atingiu níveis históricos e há uma enorme escassez de habitação social”, avançou, lembrando que “enquanto isso, centenas de milhares de trabalhadores da construção civil continuam a definhar no desemprego”.

“Então, ao invés de construir a habitação social de que precisamos, o governo está a incentivar os especuladores a explorar um mercado imobiliário disfuncional e a bombeá-lo de novo. A estupidez desta estratégia é impressionante e uma repetição alarmante dos erros que levaram à crise”, sublinhou o representante da United Left Alliance.

“O único caminho para uma verdadeira recuperação é reduzir ou cancelar os colossais pagamentos de juros da dívida que estão agora a ser sugados para fora da economia e redirecionar esses recursos para o investimento produtivo e a criação de verdadeiro emprego. Precisamos também de impostos progressivos e taxas redistributivas sobre os lucros e a riqueza para desbloquear novos fundos de investimento para o emprego e para levantar a carga fiscal sobre as famílias de baixos e médios rendimentos", defendeu Boy Barrett.

 

 

Artigo formulado com base nas informações disponíveis na página web do deputado Richard Boyd Barrett.



[i] A United Left Alliance (ULA), cuja formação foi anunciada a 25 de novembro de 2010, e que é constituída pela organização People Before Profite Alliance (PBPA), formada, na sua maioria, por membros do Socialist Workers Party, o Socialist Party(SP) e o Workers and Unemployed Action Group, conseguiu eleger cinco dos seus vinte candidatos nas eleições legislativas de 25 de fevereiro de 2011: Joan Collins com 8.459 votos; Richard Boyd Barrett, com 10.794 votos, Seamus Healy com 11.265 votos; Joe Higgins com 8.603 votos e Clare Daly com 11.172 votos.

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