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Na hora da derrota, Crato disparou contra Politécnicos

Poucas horas depois do falhanço da prova dos professores, o ministro foi à RTP lançar dúvidas sobre a formação dada nas Escolas Superiores de Educação.
Horas depois de metade dos professores se terem recusado a fazer a prova, Nuno Crato foi à RTP incendiar ainda mais o clima nas escolas.

Após ter lançado de novo o caos nas escolas, desta vez com um exame de professores vigiado de perto por polícias no interior dos estabelecimentos de ensino, Nuno Crato foi ao telejornal da RTP lançar dúvidas sobre a preparação dos atuais docentes, apontando os que foram formados pelas Escolas Superiores de Educação como os principais suspeitos de não estarem devidamente habilitados ao exercício da profissão. 

As declarações de Nuno Crato – que depois de se despedir do entrevistador ainda assistiu ao lançamento da reportagem em que duas alunas do 12º fizeram o exame aos professores e o consideraram muito mais fácil do que os que fazem na escola – vieram incendiar ainda mais o clima nas escolas e as reações não demoraram a surgir.

“Penso que tudo resultou de um estado de irritação do senhor ministro, tendo em conta o que se passou ontem com as provas de avaliação de conhecimento dos professores e, depois, alargou e disparou em todos os sentidos”, afirmou o presidente do Conselho dos Institutos Politécnicos à agência Lusa.

Para Joaquim Mourato, a atitude do ministro "revela um profundo desconhecimento do ensino superior que, afinal, está sob a sua tutela. Atinge sobretudo a Agência de Avaliação e Acreditação, uma entidade independente, integrada numa rede europeia, que nos merece toda a confiança".

Também o líder da Fenprof não deixou passar o que considera ter sido "um ato de vingança" contra os professores, na hora da derrota de Nuno Crato. "Aquilo que o ministro da Educação disse ontem é insultuoso e ofensivo para as escolas. Provavelmente corresponde a uma reação contra o facto de muitas delas terem tomado posição contra a prova. Portanto, está aqui uma forma de o senhor ministro dizer ou demonstrar que quem não está consigo está necessariamente contra si", declarou Mário Nogueira.

Na mesma entrevista, Nuno Crato ainda procurou recolher para o seu campo ideológico os louros da evolução positiva na avaliação internacional aos estudantes. Segundo o ministro tentou fazer crer na RTP, a subida portuguesa nos relatórios PISA da OCDE devem-se à introdução de exames e à publicação dos rankings. Uma posição que contraria a própria OCDE, que apontou como causas do sucesso o apoio aos estudantes mais desfavorecidos ou a aposta no ensino da matemática, com um programa que o atual ministro pretende enterrar de vez. 

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