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Rússia corta em 38% o preço do gás que fornece à Ucrânia

A Rússia e a Ucrânia assinaram um acordo de cooperação através do qual Moscovo intervém para atenuar o problema da dívida pública de Kiev e reduz em 38% os preços do gás natural que fornece.
Vladimir Putin e Viktor Yanukovich na assinatura do acordo esta terça-feira em Moscovo.. Foto Ivan Sekretarev/AP

O entendimento foi estabelecido em Moscovo entre os presidentes Vladimir Putin e Viktor Yanukovich. Através deste caminho, a Ucrânia estabeleceu uma alternativa ao acordo comercial com a União Europeia, que Yanukovich rejeitou, decisão que foi o ponto de partida pelas manifestações conduzidas pela oposição contra as autoridades de Kiev.

Nos termos do acordo agora assinado, a Rússia vai investir cerca de 11 mil milhões de euros na dívida pública ucraniana, que em Outubro terá atingido os 40 mil milhões de euros. Além disso, a empresa estatal russa de energia Gazprom reduz de 290 euros para 200 o preço de cada mil metros cúbicos de gás natural que cobra à Neftogaz, a empresa pública ucraniana.

Na cerimónia que assinalou a assinatura do acordo, o presidente ucraniano afirmou que “fizemos todo este trabalho para podermos colocar a economia da Ucrânia e o nosso comércio de novo com uma dinâmica positiva e no caminho certo”. O acordo, sublinhou Yanukovich, “sublinha as nossas relações estratégicas com a Rússia”.

O entendimento com Moscovo terá dado um novo fôlego ao actual presidente ucraniano, que continua a ser contestado em manifestações organizadas pela oposição e entre as quais avultam os apoiantes do ex-pugilista Vitaly Klitschko, o dirigente que a chanceler alemã Angela Merkel e o Partido Popular Europeu estão a preparar na perspectiva de assumir o poder na Ucrânia. Nos últimos dias têm-se registado igualmente manifestações favoráveis a Yanukovich, que poderão aumentar de intensidade com a assinatura do acordo com a Rússia.

Em Berlim, o novo ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, o social democrata Frank-Walter Steinmeier, lançou ataques a todas as partes envolvidas na questão ucraniana criticando Putin por se aproveitar das fraquezas de Kiev, acusando Yanukovich pela repressão e por entregar o país perante a melhor oferta mas não poupando a União Europeia. Steinmeier acusou Bruxelas de não ter levado em consideração, no fracassado acordo comercial, a delicada situação económica em que se encontra a Ucrânia.

“Apresentámos uma pacote económico e financeiro que se revelou demasiado curto perante o que seria necessário para manter a Ucrânia competitiva e vinculá-la à Europa”, disse o ministro alemão.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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