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"Manifesto 3D" defende candidatura anti-austeridade nas Europeias

65 personalidades da esquerda portuguesa lançaram um manifesto a apelar à convergência da esquerda, nas próximas eleições europeias, numa lista contra a austeridade permanente do Tratado Orçamental.
Promotores do manifesto 3D prometem apresentar propostas para a convergência da esquerda. Foto Paulete Matos

"É tempo de recusar a submissão passiva de Portugal a uma União Europeia transformada em troika permanente. Precisamos duma alternativa política que dê força e sentido prático à resistência e ao protesto", afirma o manifesto "Pela Dignidade, pela Democracia e pelo Desenvolvimento: Defender Portugal" lançado esta terça-feira em Lisboa.

"A nossa proposta é clara: desenvolver um movimento político amplo que no imediato sustente uma candidatura convergente a submeter a sufrágio nas próximas eleições para o Parlamento Europeu", explica o texto subscrito por dezenas de figuras ligadas à política, ao sindicalismo, às artes e às ciências. "Tivemos vários encontros, com o Bloco, o Livre, a Renovação Comunista, várias organizações e individualidades. Não se tratou apenas de encontros com organizações políticas porque o nosso objetivo é um pouco mais lato que isso", explicou o jornalista e comentador Daniel Oliveira na apresentação do manifesto.

Por seu lado, o professor universitário José Reis declarou que o manifesto não é mais "uma proposta ou um apelo", mas uma "plataforma política que quer tornar-se incontornável" nas eleições europeias. Qustionado sobre a hipótese do ex-líder da CGTP Carvalho da Silva, que também subscreve o manifesto, poder vir a encabeçar a lista às europeias, José Reis respondeu que "essa questão nunca podia estar em cima da mesa" uma vez que "não estamos a formar listas, a escolher nomes". 

Boa parte dos subscritores deste manifesto já se tinham encontrado nas sessões do Congresso Democrático das Alternativas nos últimos dois anos. Entre as 65 personalidades que deram o nome para esta iniciativa estão os realizadores Miguel Gomes, João Botelho e António Pedro Vasconcelos, o humorista Ricardo Araújo Pereira, os economistas José Castro Caldas, Eugénia Pires, Ana Cristina Costa, José Luís Albuquerque e Ricardo Paes Mamede, os sindicalistas Américo Monteiro, Guadalupe Simões, António Avelãs, Manuel Carlos Silva, Manuela Mendonça e Rui Caleiras.

Bloco: "Interessa-nos conhecer as definições e propostas desta iniciativa"

Em declarações à comunicação social, o dirigente bloquista Jorge Costa afirmou que "o Bloco reconhece entre os subscritores deste texto personalidades com quem colabora regularmente e posições importantes - sobre a dívida, os serviços públicos, o tratado orçamental europeu - que estão no centro das linhas de orientação que a Mesa Nacional do Bloco definiu para as eleições europeias".

"O manifesto hoje apresentado deixa em aberto as suas possibilidades futuras. Interessa-nos conhecer as definições e propostas desta iniciativa, mas respeitamos os seus ritmos e o seu debate", prosseguiu Jorge Costa, recordando que "a história do Bloco é a de uma porta aberta aos diálogos na esquerda, um trabalho persistente por todas as convergências, sem ambiguidades".

No que respeita à candidatura às próximas europeias, o dirigente do Bloco afirmou que o Bloco está empenhado "na construção aberta de um programa para Portugal, de rutura com a alternância dos partidos do memorando e de oposição ao projecto federalista, que é o da direita".

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