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Linha Saúde 24 funciona a falsos recibos verdes

As 400 pessoas que dão resposta às famílias que ligam para a linha gratuita Saúde 24 estão a ser coagidas a baixar o salário até 40%. Um grupo apresentou queixa e exige ver a situação laboral regularizada de acordo com a nova lei contra os falsos recibis verdes.
Empresa subcontratada pelo Ministério da Saúde teve lucro de 2,8 milhões com a exploração de enfermeiros a falsos recibos verdes.

O grupo de trabalhadores da linha Saúde 24 anunciou à porta da Autoridade para as Condições do Trabalho a entrega de uma queixa sobre a situação que se vive na empresa, exigindo a negociação salarial com a empresa subcontratada pelo Estado. Esta linha telefónica é procurada por cada vez mais utentes e tem contribuído para evitar a afluência aos centros de saúde e hospitais sem necessidade, Embora esteja integrada no Serviço Nacional de Saúde, a gestão tem sido entregue a subconcessionários e agora passou da Caixa Seguros para uma parceria entre a Optimus e a Teleperformance, informa o site dos Precários Inflexíveis, que têm acompanhado a situação destes trabalhadores.

Recentemente, os 400 trabalhadores - divididos em dois call-centers em Lisboa e Porto - foram confrontados com a exigência da empresa em baixarem até 40% o seu salário. Descontados os impostos, os enfermeiros e técnicos de saúde que respondem às chamadas e aconselham quem os procura, passariam a ganhar cerca de quatro euros à hora.

"A linha tem crescido e tornou-se um hábito dos portugueses. Mas não tem sido hábito da empresa cativar as pessoas que lá trabalham", denunciou o enfermeiro Tiago Pinheiro, acrescentando que há ameaças de despedimento a partir de 1 de janeiro para quem não assinar a redução de salário.

"Este é um trabalho difícil e qualificado, que vive exclusivamente dos enfermeiros que o prestam", explicou Tiago Pinheiro, confrontando os cortes salariais que a empresa agora exige com "o lucro de 2,8 milhões de euros" que obteve no ano passado.

Para os Precários Inflexíveis, "a nova Lei Contra os Falsos Recibos Verdes será a ferramenta adequada a esta circunstância, podendo contribuir para regularizar as condições de trabalho destas 400 pessoas e podendo ditar a celebração de contratos de trabalho após inspecção da ACT".

Bloco denunciou na AR "coação" sobre trabalhadores

Na semana passada, o Bloco de Esquerda questionou os Ministérios da Saúde e do Emprego e Segurança Social sobre as ameaças feitas aos trabalhadores precários que exercem há anos as suas funções na linha Saíude 24. "De facto, é de coação que se trata uma vez que está a ser dito aos trabalhadores que, quem não aceitar a redução, será dispensado", referem os deputados João Semedo e Helena Pinto no requerimento apresentado no Parlamento.

"O Ministério da Saúde, que é a entidade responsável por esta linha de atendimento, não pode alhear-se das suas responsabilidades para com esta situação", consideram os deputados bloquistas, acrescentando que "esta linha presta um importantíssimo serviço público cuja qualidade tem que ser assegurada e tal não é possível sem que os direitos dos trabalhadores estejam assegurados também".

O Bloco requereu igualmente a divulgação do contrato de gestão  assinado entre o Estado e a entidade gestora da Linha Saúde 24.

Trabalhadores da Linha Saúde 24 apresentam queixa à ACT por falsos recibos verdes

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