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Mario Draghi desmentiu Portas em menos de 24 horas

O presidente do Banco Central Europeu confirmou que Portugal será sujeito a novo programa após o termo do memorando da troika, horas depois de Paulo Portas ter apresentado o cenário contrário.
Schauble, Gaspar e Draghi: a troika promete ficar mais uns tempos a sugar o rendimento dos trabalhadores e pensionistas portugueses.

Quando o eurodeputado do CDS Diogo Feyo recebeu a resposta de Mario Draghi às suas questões sobre o fim do primeiro resgate da troika a Portugal, certamente não esperaria que elas viessem desmentir o presidente do seu partido. É que Paulo Portas acabara de dar uma conferência de imprensa no fim da 10ª avaliação da troika, em que apontou o cenário do fim da interferência do BCE, FMI e Comissão Europeia nas decisões económicas e financeiras do Governo.

O presidente do BCE assegurou o deputado do CDS que Portugal irá ter um "programa" para o período de transição" após a conclusão do memorando assinado em 2011 e que arrastou o país para uma crise social sem precedentes nas últimas décadas. "Teremos de ver que tipo de formato terá este programa", concluiu Draghi, em declarações feitas perante a Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu.

Para o líder parlamentar bloquista, "o que Mario Draghi nos diz é que, de facto, já está a ser previsto um programa cautelar e que o Governo o está a esconder do país". "Isto não é aceitável", acusou Pedro Filipe Soares aos microfones da TSF, lembrando que "ainda ontem, Paulo Portas deu uma conferência de imprensa onde tentou dizer que a saída de Portugal do programa da troika seria uma saída à irlandesa, isto é, sem qualquer programa cautelar".

"Percebemos que o Governo não quer assumir que falhou, mas deveria ter a transparência de dizer ao país quais são as condições, de que forma o país vai assumir o programa cautelar e na prática ter a troika mais tempo, mesmo depois do memorando", acrescentou o deputado do Bloco, recordando que o próprio Passos Coelho tinha dito que só a partir de 27 de janeiro é que o Governo iria avaliar a necessidade de um novo programa ditado pelos credores.

Para Pedro Filipe Soares, as palavras de Draghi confirmam que “a austeridade do memorando passará depois de junho a austeridade do programa cautelar. Neste processo, um programa cautelar tem condicionalidades, tem obrigações de metas orçamentais de défices e dívidas, tem avaliações”, sublinhou em declarações à Lusa.

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