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Chile: Esquerda vence segunda volta das presidenciais com resultado histórico

A socialista Michelle Bachelet venceu a segunda volta das presidenciais com mais de 62% batendo assim a candidata conservadora Evelyn Matthei, que se ficou pelos 37,8%. No seu discurso de vitória prometeu “trabalhar por uma nova constituição, que garanta mais direitos sociais e seja mais justa com todas as expressões da cidadania”. Artigo publicado em Opera Mundi.
Foto retirada do facebook de Michelle Bachelet

Às 18h55 da noite (hora local), quando o Servel (Comissão Nacional de Eleições chilena) anunciou os resultados parciais com 59% dos votos apurados, o Chile conheceu o nome da mulher que governará o país a partir do próximo mês de março e durante os próximos quatro anos. A socialista Michelle Bachelet, a primeira mulher a governar o país (entre 2006 e 2010), volta à presidência.

Com 99,85% dos votos apurados, Bachelet tinha 62,15% do total nesta segunda volta, superando a candidata do governo Evelyn Matthei - ministra do Trabalho do atual governo conservador de Sebastián Piñera - que obteve 37,8% neste domingo.

Poucos minutos depois do resultado ser definido, a direção de campanha de Evelyn Matthei divulgou uma nota oficial em que a candidata reconhecia a derrota. "A cidadania manifestou a sua escolha e decidiu pela candidatura da nossa adversária. Da nossa parte, resta-nos felicitar a vencedora, desejar o melhor para ela durante o mandato e garantir àqueles que votaram na nossa proposta, especialmente à classe média esforçada deste país, que, apesar do revés de hoje, estaremos lutando, durante os próximos quatro anos, pelas ideias que eles querem ver defendidas".

Bachelet é a primeira figura política chilena a vencer duas eleições presidenciais e, com os novos quatro anos de mandato que terá pela frente, tornar-se-à a presidente com mais tempo no cargo desde o regresso da democracia em 1990.

A vitória de Bachelet é marcada também por uma elevada taxa de abstenção, que tem sido regra nas eleições chilenas desde a introdução do sistema de voto facultativo. Neste domingo, a abstenção eleitoral registada foi de 60%.

Outro feito de Bachelet foi alcançar a maior percentagem da história das eleições chilenas, superando os 57,98% conseguidos por Eduardo Frei Ruiz-Tagle em 1994.

Discurso da vitória
Depois de receber a visita da candidata derrotada na sede instalada no Hotel San Francisco, Michelle Bachelet subiu ao cenário instalado na frente do edifício, por volta das 20h40 (hora local), para saudar um público de cerca de 15 mil pessoas.

A socialista destacou que “o Chile, desde o regresso da democracia, avançou muito, mas agora precisa de reconhecer que existem novos desafios. Nesta eleição, os eleitores perceberam que este é o momento histórico para fazer as grandes mudanças”. "Temos condições políticas para fazer as mudanças necessárias", afirmou.

Bachelet também fez um gesto ao movimento estudantil, dizendo que “a vitória também é dos jovens que marcharam desde 2011, mostrando aos políticos que a educação é um direito e não um bem de consumo”.

E sobre a reforma constitucional, que também é parte do seu projeto de governo, garantiu que “vamos trabalhar por uma nova constituição, que garanta mais direitos sociais, mais justa com todas as expressões da cidadania, desde os que tem mais aos que tem menos recursos económicos”.

Para terminar, “peço a todos os chilenos agora também se comprometam, porque queremos fazer grandes mudanças neste país. Como presidente, é minha responsabilidade liderar este processo, mas para isso também precisarei do apoio de todos os setores políticos e todas as cidadãs e todos os cidadãos chilenos”.

Artigo publicado no portal Opera Mundi.

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