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Esquerda europeia está pronta para mudar as regras do jogo na UE

Alexis Tsipras, líder do SYRIZA, foi eleito candidato à Presidência da Comissão Europeia pelo IV Congresso do Partido da Esquerda Europeia. Os objetivos estão lançados, a esquerda europeia está determinada em vencer as políticas de austeridade, acabar com o pensamento único e alterar o equilíbrio de forças no seio da União Europeia (UE) em favor dos cidadãos.
Na foto: Margarita Mileva (Partido de Esquerda, Bulgária), Pierre Laurent (Presidente do PEE, PCF, França), Alexis Tsipras (SYRIZA, Grécia), Cayo Lara (secretário-geral da Izquierda Unida, Espanha), Marisa Matias (Bloco de Esquerda) e Maite Mola (Izquierda Unida, Espanha)

O que parecia um passeio tranquilo de pão e rosas durante um fim-de-semana veio-se a revelar um processo intenso e construtivo do qual a esquerda alternativa sai realmente reforçada.

O IV Congresso do Partido da Esquerda Europeia (PEE) reunido em Madrid, para além de sair com uma declaração política para as próximas eleições europeias, avança com a candidatura de Alexis Tsipras, líder do SYRIZA, à presidência da Comissão Europeia. O documento político inicial sofreu várias alterações, emendas e ganhou um conjunto de anexos, o que demonstra que o debate de ideias à esquerda é pode ser bastante enriquecedor. 

Pierre Laurent, também presidente do Partido Comunista Francês (PCF), foi reeleito presidente do Partido da Esquerda Europeia por uma ampla maioria dos delegados. Acompanham-no na vice-presidência Marisa Matias (eurodeputada do Bloco de Esquerda), Alexis Tsipras (SYRIZA, Grécia), Maite Mola (Izquierda Unida, PCE, Espanha) e Margarita Mileva (Partido de Esquerda, Bulgária)

"Este Congresso marca uma mudança, uma etapa fundamental. Já não somos um conjunto de caminhos, de intercâmbio de ideias e de experiências, a partir de agora somos atores europeus. Tomamos consciência de que os nossos combates não fazem sentido se não estabelecemos relações de força à escala europeia. O futuro de Europa já não se escreverá sem ter em conta a esquerda europeia (...) Vamos lutar contra a troika, os populismos, os extremismos que se afirmam pela xenofobia, as discriminações... nós não nos reconhecemos em nenhum desses postulados nem nos resignaremos perante uns ou outros. Acreditamos numa Europa solidária e justa e é essa ambição a que nos move", disse Pierre Laurent no seu discurso de encerramento.

“Isto já é imparável”

O importante é que a esquerda europeia já sabe o que quer e tem em Alexis Tsipras um exemplo de esperança como se pode vencer.

Referindo-se às declarações de Samaras, o primeiro-ministro grego, o líder do SYRIZA disse que “a única obsessão que vemos hoje é a da austeridade e do merkelismo, Samaras converteu-se no maior fanático deste dogma. A nossa obsessão é ter um plano de salvação para todos os povos da Europa. As receitas ultraliberais, o genocídio económico que está a ser levado a cabo, estão a afundar os povos na extrema pobreza e na marginalização. Queremos pará-lo e por isso acho que a mudança chegará. Serão mudanças radicais e não demorará a chegar o dia em que isto se passe na Grécia. Será muito cedo e será um processo que terá uma continuidade em todos os países. Isto já é imparável. Caso existam eleições antecipadas na Grécia, a vitória não será do SYRIZA, mas do Partido da Esquerda Europeia e terá consequências muito importantes para a esquerda europeia e não só no nosso país”.

Tsipras parece ter aceitado naturalmente a nomeação e não tem nenhum problema em mostrar que isso o beneficia e ao resto da esquerda europeia ao mesmo tempo. Pela primeira vez em muito tempo neste campo político existe uma pessoa que tem discurso, programa e esperança simultaneamente.

"Temos um projeto para a UE, não podemos permitir que o avanço neoliberal abra portas ao fascismo e ao populismo. Não vamos atirar a toalha ao chão e deixar que nos continuem a roubar a democracia e a União Europeia dos cidadãos, que é o que defendemos no Partido da Esquerda Europeia. Vamos continuar a trabalhar para unir e somar mais forças, para que todas aquelas pessoas que estão a favor de política antineoliberais e anticapitalistas possam confluir para acabar com pensamento único e o bipartidarismo na UE, disse o líder da Izquierda Unida Cayo Lara.

Cayo Lara fez uma defesa acirrada de Pierre Laurent, que foi pressionado pelo Parti de Gauche de Jean-Luc Melénchon para que retirasse a candidatura. “É o melhor candidato para dirigir o PEE", disse o coordenador federal da Izquierda Unida. Por outro lado, o Parti de Gauche suspenderá durante uns meses a sua participação na esquerda europeia, até que passem as eleições municipais francesas. Mas deste Congresso até os mais céticos poderão tirar boas conclusões. O PEE aumentou as suas referências ao eco socialismo no seu documento político e os partidários de Melénchon estão já a organizar uma conferência sobre o meio ambiente para janeiro em que participarão o SYRIZA, o Die Linke, o Bloco de Esquerda e a Aliança Verde e Vermelha da Dinamarca.

Pierre Laurent acabou por enviar as suas próprias mensagens ao Parti de Gauche no seu discurso de encerramento: “Sempre que há um debate levamo-lo até ao fim com a vontade de unir-nos, sem obrigar ninguém a submeter-se à vontade dos demais, fazemo-lo movidos pela vontade de andar juntos e é um orgulho para mim dirigir esta presidência coletiva. Juntos vamos continuar como um movimento coletivo”.

Os próximos eventos do PEE, saídos deste Congresso, já estão definidos: debate sobre uma futura presidência paritária, conferência sobre a dívida em março de 2014 em Bruxelas e um fórum das alternativas para o próximo Outono.

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