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“Pior que Goldman Sachs e Deutsche Bank serem donos dos CTT é serem donos do governo”

Marisa Matias fez a denúncia e acrescentou: “É pena que o governo funcione como uma espécie de infiltrado do setor privado contra a coisa pública”. A eurodeputada pronunciou-se assim a propósito da privatização dos CTT durante a sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena 1.
Para o Goldman Sachs e o Deutsche Bank investir nos CTT “é bom para maximizar os seus lucros e reduzir os do Estado”. Pelo que o governo português “não defende os interesses do povo face às multinacionais, mas sim os interesses das multinacionais em detrimento do povo”, realçou Marisa Matias – Foto de Paulete Matos

Se o Goldman Sachs decidiu investir nos CTT e aconselhar os seus clientes a fazê-lo “não é por súbita vontade de andar de bicicleta a distribuir cartas em Trás-os-Montes ou outra região do país”, disse a eleita do Bloco de Esquerda. A motivação real do investimento resulta de se tratar de “uma oportunidade de negócio” para os seus clientes, muitos “sem rosto e com nomes esquisitos sediados em paraísos fiscais em escritórios sem funcionários nem telefone”.

E se é uma oportunidade de negócio, salientou Marisa Matias, é porque para o Goldman Sachs e seus clientes investir nos CTT “é bom para maximizar os seus lucros e reduzir os do Estado”. Pelo que o governo português “não defende os interesses do povo face às multinacionais, mas sim os interesses das multinacionais em detrimento do povo”, acrescentou.

EDP, REN, aeroportos, CTT, Estaleiros de Viana – estas são empresas e sectores que o atual governo já entregou a privados, sendo que no seu interior “há quem tenha vindo diretamente do Goldman Sachs e esteja a controlar as privatizações”, afirmou a eurodeputada do Bloco de Esquerda. É neste contexto que o ministro dos Assuntos Parlamentares fala em “idoneidade” do negócio; quanto a isso, Marisa Matias sugeriu o visionamento de programas que já passaram nas televisões portugueses e que revelam o que verdadeiramente é o Goldman Sachs, “mais do que um banco, uma rede tentacular de meios financeiros e negócios obscuros”.

Por vezes “ouvem-se críticas” quando se diz que “o Goldman Sachs é um dos donos do mundo”, prosseguiu a eurodeputada, mas talvez os portugueses passem a entender isso melhor quando virem que o Goldman Sachs e o Deutsche Bank são os donos dos postos de correios das suas terras”.

“É pena que o governo funcione como uma espécie de infiltrado do setor privado contra a coisa pública”, lamentou Marisa Matias. “É que se gosta assim tanto do setor privado vá trabalhar para lá e deixe o setor público entregue a quem o defenda”, aconselhou.

Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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