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Chavistas vencem eleições municipais na Venezuela

“Hoje, sem lugar a dúvidas, obtivemos uma grande vitória, o povo da Venezuela disse ao mundo que a Revolução Bolivariana continua com mais força do que nunca”, defendeu o Presidente Nicólas Maduro no domingo à noite, após conhecer os resultados eleitorais autárquicos. Artigo publicado no portal Opera Mundi.
O PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e os seus aliados obtêm mais de 5,1milhões de votos (49,24%), enquanto as alianças da oposição conseguem 4,4 milhões (42,72%).

Ao contrário do que esperava a oposição, o Partido Socialista Unificado da Venezuela e os seus aliados venceram as eleições autárquicas.

Passavam das dez da noite e quatro horas do início do encerramento das urnas na Venezuela quando a presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), Tibisay Lucena, difundiu o primeiro boletim com resultados parciais das eleições municipais realizadas este domingo. Na disputa por câmaras municipais, o chavismo manteve a maioria dos municípios, com 196 dos 257 onde os resultados já eram considerados irreversíveis, e obteve a maioria dos votos.

A coligação opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática), liderada pelo governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, ganhou, por sua vez, 53 câmaras municipais, conseguindo reeleição em grandes centros urbanos como Maracaibo, capital do estado petrolífero de Zulia, e o Distrito Metropolitano, que engloba os cinco municípios de Caracas. Outras organizações políticas conseguiram vitórias em oito câmaras municipais, segundo Lucena.

Os opositores, que encaravam as eleições municipais como um plebiscito ao apoio ao Governo, ficaram aquém em número de votos em comparação com as presidenciais de 14 de abril deste ano, quando o presidente Nicolás Maduro derrotou Capriles por 225 mil votos (1,5%) . Oito meses depois, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e os seus aliados obtêm mais de 5,1milhões de votos (49,24%), enquanto as alianças da oposição conseguem 4,4 milhões (42,72%).

Maduro comemorou o facto de o chavismo ter mantido a hegemonia dos municípios do país e o maior número de votos totais. “Hoje, sem lugar a dúvidas, obtivemos uma grande vitória, o povo da Venezuela disse ao mundo que a Revolução Bolivariana continua com mais força do que nunca”, declarou, em discurso a apoiantes, complementando: “Nem mesmo a guerra económica que a direita armou, pode com a revolução”.
Usando um cachecol com as cores da Venezuela e acompanhado por Jorge Rodríguez, presidente reeleito com 54,55% no município de Libertador, o mais importante de Caracas, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, além de membros do seu gabinete, Maduro afirmou que a projeção do Governo é ter ganho três municípios para cada vitória da oposição.

“Espero que ele [Capriles] aprenda e reconheça que foi derrotado outra vez, que mostre a cara ao país e renuncie à direção política da MUD”, expressou o chefe de Estado venezuelano, ovacionado por chavistas que entoavam cantos conhecidos, como “assim, assim, assim é que se governa” e “Chávez não morreu, multiplicou-se”. Uma nova canção, porém, surgiu após o pleito, em alusão a Capriles: “Capri Caprichito [caprichinho], toma o teu plebiscito!”.

Segundo Maduro, dados atualizados no momento do seu discurso davam ao chavismo vitória em 210 municípios. Para ele, o lançamento de candidaturas de aliados do Governo paralelamente a de candidatos do PSUV impediu a vitória do chavismo em algumas cidades. O presidente lamentou a perda para a oposição da câmara de Barinas, capital homónima do Estado onde nasceu o falecido presidente Hugo Chávez, enquanto comemorou a vitória em Los Teques, capital do estado governado por Capriles.

Capriles

O discurso de Maduro foi sucedido pelo do líder da oposição, que afirmou que sua leitura dos resultados divulgados era a de um país “dividido”, que clama por diálogo. “Este país não tem dono, aqui nenhum partido é dono da Venezuela, nem o governismo, nem a oposição”, disse Capriles, cercado de dirigentes opositores, ressaltando que o índice de participação eleitoral, de 58,92%, deve ser interpretado porque “muitos” deixaram de votar.

“Nos primeiros resultados o PSUV ganha em percentagem de municípios e total de votos nacionais, enquanto a oposição aumenta seus símbolos”, escreveu no Twitter o presidente do instituto de sondagem Datanálisis, Luis Vicente León, afirmando que, com os resultados, a oposição não consegue o objetivo de “castigar” a gestão de Maduro e o Governo mostra que não conseguiu reverter a popularidade da oposição nas principais cidades do país.
Votação
De acordo com autoridades estatais, o processo eleitoral municipal correu com normalidade no domingo. Maduro afirmou, logo após votar, que alguns incidentes esporádicos foram registados, mas que estão a ser investigados. Em entrevista ao canal Globovisión, o ministro do Interior, Miguel Rodríguez Torres afirmou que 141 delitos eleitorais foram registados em todo o país, um número que considera “ínfimo” quando comparada com a quantidade de eleitores.
No início da tarde, em Los Dos Caminos, na zona leste de Caracas, um carro com altofalante convocava os moradores dos edifícios às urnas. “Não fiquem em casa, saiam para votar”, dizia a mensagem, enquanto o veículo circulava pelo bairro nobre. Durante a tarde, mais ao leste, na região popular de Petare, um camião com cartazes do candidato do Governo à junta metropolitana de Caracas ecoava por altos falantes canções alusivas a Chávez, no meio do intenso tráfego de pessoas, automóveis e motocicletas.

Num centro de votação próximo, após discutir com as responsáveis de mesa de uma sala eleitoral, a dona de casa Yolanda Herrera Díaz afirmou que não conseguiu votar. “Coloquei a minha impressão digital no aparelho para acionar a urna, mas ainda tinha uma senhora a votar. Ela acabou a votar por mim e as meninas da mesa mostraram-me o voto para ver se eu concordava, mas ela votou em num opositor. Então pediram para assinar uma ata para anular o voto, mas eu quero votar. Isso nunca tinha acontecido comigo”, contou ao portal Opera Mundi.

Após algumas reclamações de que no momento de retirar o comprovativo de voto da urna eletrónica para depositar na urna de papel, o papel saía rasgado, uma responsável de mesa da sala pediu aos eleitores que esperavam que não retirassem o boletim antes do tempo. A opositora Lila Merchand, por sua vez, afirmou que apesar de ter pedido ajuda a um dos responsáveis de mesa, não esperava que este observasse seu voto, como segundo ela aconteceu.

Ela viu em quem eu votei. Isso está a acontecer muito, como é possível que a esta hora já tenha rumores de quem ganhou?” questionou. Segundo o tenente Morales, que atuava para proteção deste centro em Petare, os resultados do ato eleitoral são difundidos antes do anúncio da CNE porque, durante a apuração, testemunhas transmitem os dados das atas para centrais de dados, tanto do Governo como da oposição, que contabilizam os votos.
Num um centro eleitoral menor a comerciante Estrella Kelzi saía com o seu dedo mindinho pintado com a tinta indelével que comprova que os eleitores já votaram. “Foi muito fácil votar, não tive nenhum problema. As pessoas confundem-se, erram e atrasam o processo porque chegam sem saber como é a votação. Mas é só se informar”, expressou.

 

Artigo publicado no portal Opera Mundi.

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