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Concurso provoca despedimento de centenas de investigadores

Bloco de Esquerda requer a ida da Secretária de Estado da Ciência ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o Concurso Investigador FCT 2013 que excluiu mais de mil doutorados num duvidoso processo interno, impedindo-os de ir a júri internacional.
"A FCT limitou-se a enviar uma mensagem por correio electrónico a estes mais de 1000 doutorados onde lhes comunicava a eliminação do concurso”. Foto da ABIC

O Bloco de Esquerda requereu ao Presidente da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura uma audiência urgente da Secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, para esclarecer os recentes resultados do Concurso Investigador FCT 2013. “Mais de 1000 doutorados foram excluídos, num processo que pode configurar um despedimento de facto de profissionais de carreira essenciais para a estrutura científica nacional”, afirma o requerimento, descrevendo o concurso como um “processo duvidoso”, que levanta “dúvidas quanto ao pleno cumprimento do regulamento em vigor”.

Processo de selecção interna, arbitrário, obscuro

Centenas de investigadores, professores e bolseiros divulgaram um apelo em que denunciam que o concurso Investigador FCT 2013 foi marcado pela ausência dos mais elementares direitos democráticos.

“A maioria dos candidatos, com currículos de excelência (dezenas da artigos, projectos financiados, vários livros como autor, doutorandos sob orientação, e mesmo coordenadores de linha) foram impedidos de ir a júri internacional por um processo de selecção interna, arbitrário, obscuro, do qual se desconhecem os critérios científicos e, cremos, passível de impugnação judicial”.

Desta forma, explica o documento, “mais de 1000 doutorados foram eliminados no Concurso FCT Investigador 2013, num processo que pode configurar para muitos um despedimento de facto e para os que ficam uma sobrecarga horária, com perda de qualidade crescente para as Universidades”.

Os investigadores denunciam “uma pré-selecção interna que elimina as pessoas impedindo-as de ser avaliadas por um júri internacional, sem que os eliminados saibam quem foi o júri e se o seu currículo os habilita a decidir sobre as suas vidas, se é uma equipa ou quem os eliminou, e quais foram os critérios usados para formar a sua decisão, se que seja até hoje possível contestar a decisão”.

Por outro lado, os candidatos não conhecem o júri, a acta ou ordem de colocação dos candidatos. “Nada é público, até agora. Na verdade, a FCT limitou-se a enviar uma mensagem por correio electrónico a estes mais de 1000 doutorados onde lhes comunicava a eliminação do concurso”.

Bolseiros denunciam

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica também repudiou o desfecho do concurso Investigador FCT 2013 para a contratação de investigadores, denunciando que “o modo de seleção de candidatos foi realizado com omissões, total falta de informação, transparência e justiça”.

A Associação alerta os bolseiros e a comunidade científica de que “as mesmas irregularidades podem ser cometidas no concurso de bolsas FCT 2013, dado que os painéis para avaliar as candidaturas a bolsas ainda não foram publicados”. Por outro lado, “um claro sinal de alarme sobre a ineficiência e falta de rigor da FCT verifica-se ainda na falta de anúncio dos resultados do concurso de Bolsas de Doutoramento no âmbito do Programa UTAustin|Portugal que deveriam ter sido publicados até Fevereiro de 2013 mas ainda não são conhecidos”.

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