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Estaleiros Navais: E se o coração de Viana parar?

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo assumem uma importância fundamental em Viana do Castelo e a sua destruição tem um efeito dominó: para Viana, mas também para toda a região do Alto Minho.

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (EVNC) são uma empresa com 69 anos de atividade e contam com a construção de mais de 220 navios. Esta empresa assume uma posição estratégica no sector naval e é detentora de, com uma importante carteira de encomendas, sendo os únicos estaleiros públicos em Portugal.

Foi anunciado na semana passada o encerramento dos Estaleiros de Viana e o despedimento dos mais de 600 trabalhadores, fruto da subconcessão dos terrenos e infraestruturas ao grupo Martifer. Este facto faz parte da proposta que o atual executivo tem para o país, que passa pela destruição da economia, empurrando os trabalhadores para o desemprego. Os ENVC não são exceção ao discurso do governo pró-privatizações indiscriminadas que representam os interesses de grupos específicos, sempre em detrimento do interesse público.

Os ENVC assumem uma importância fundamental em Viana do Castelo e a sua destruição tem um efeito dominó: importa elevados custos sociais e económicos para Viana, mas também para toda a região do Alto Minho. Esta negociata entre o Estado e os investimentos privados afetará cerca de 4 mil postos de trabalho indiretos.

A Martifer é uma empresa com um passivo no valor de 378 milhões de euros, valor este superior ao passivo dos ENVC. A nova empresa West Sea anuncia que recrutará em Janeiro 400 trabalhadores, contudo sem nenhuma garantia de que isso venha mesmo a acontecer. A salvaguarda dos direitos dos trabalhadores não passa por vir para a praça pública anunciar o valor das compensações, passa sim por uma defesa dos seus postos de trabalho, da sua atividade e saber técnico.

O governo português foi incapaz de viabilizar as verbas (cerca de 3 milhões de euros) para a compra de matérias-primas necessárias para os ENVC fazerem face às encomendas que tinham Agora, é o mesmo governo que mobiliza, com uma facilidade notável, 30,1 milhões de euros para os custos das rescisões, suportados com recursos públicos, entregando a uma empresa com dificuldades financeiras os ENVC, como se de um bónus se tratasse.

Bem sabemos que a gestão dos ENVC se mostrou ruinosa e todas as responsabilidades devem ser apuradas. No entanto, privatizar não é a solução, nem resolve problema nenhum: todo o passivo da empresa passa para o lado dos contribuintes, a Martifer recebe os Estaleiros a preço de saldo e os cofres públicos perdem dinheiro. Uma resposta consciente passa pela reestruturação dos Estaleiros e defesa dos postos de trabalho, considerando o consenso sobre o facto do mar ser um sector fundamental e estratégico na saída da crise.

O momento atual é de luta e de solidariedade com todos os trabalhadores dos Estaleiros, mas também com todo o povo vianense. Fazer face ao terrorismo social deste governo não é tarefa fácil, mas hoje mais do que nunca estaremos ao lado da Comissão de Trabalhadores, do movimento sindical e autarquias em todas as iniciativas tomadas para defender o emprego e as necessárias respostas ao agravamento da situação económica e social na região.

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