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A porta de Crato só pode ser a da saída

Desmentido pelos dados do PISA na sua campanha sobre a falta de qualidade da Escola Pública, contraditado ainda pela luta dos professores na sua inútil prova para contratados, a porta de Crato só pode ser a da saída.

O Ministro Nuno Crato vende, há anos, a imagem de uma Escola Pública facilitista. Os últimos resultados do PISA e a inutilidade ridícula da prova para professores contratados provam que o problema não está no facilitismo da Escola Pública, está na incapacidade de o Ministro da Educação viver com a realidade.

Com efeito, os resultados do estudo PISA revelam uma melhoria sustentada em todos os indicadores nos últimos seis anos. Cito: “Os resultados de Matemática em 2012 são 21 pontos acima dos resultados de 2003 e 2006; os resultados de Leitura foram 15 pontos acima dos registados em 2000 e 2006; e os resultados de Ciência foram 15 pontos acima dos registados em 2006. A percentagem de estudantes abaixo do nível 2 em Matemática diminuiu em 5 pontos percentuais e, simultaneamente, o número de estudantes com bons resultados aumentou igualmente em 5 pontos percentuais”. E nada disto foi obra do Ministro.

E se dúvidas houvesse, a OCDE elogia o programa de Matemática, não o atual, mas aquele que o Ministro revogou, em mais um exemplo desta aventura pedagógica regressiva.

E se dúvidas houvesse, a OCDE mostra que o modelo sueco do cheque ensino (inspiração de Crato) levou o país aos piores resultados de sempre - a ideia da concorrência escolar não corresponde a nenhuma melhoria da performance escolar, contribuindo apenas para o aumento das desigualdades. A Escola Pública de Portugal conseguiu que um país que no 25 de abril registava 30% da população analfabeta registe agora melhorias concertadas da qualificação da sua população, ultrapassando um país como a Suécia que, no virar do século XIX, registava já 100% de escolarização da sua população.

Este governo está assim perante um enorme problema: nenhum dos argumentos com que construiu a subida ao poder dos ideólogos da direita bafienta da educação encontra sustento nas análises internacionais ao sistema. Os dados do PISA têm essa particularidade: desmentir o argumentário de Nuno Crato sobre a falta de qualidade da Escola Pública.

Crato e companhia disseram que o “eduquês” iria criar uma geração de alunos sem capacidade para entender os textos mais básicos mas, afinal, as competências de leitura subiram; disseram ainda que o facilitismo iria fazer com que os melhores alunos descessem os seus resultados, mas os melhores e os piores alunos melhoraram o seu desempenho. O Ministro enganou-se? Não, o Ministro quis enganar para defender o seu modelo de uma escola elitista e de favorecimento do ensino privado.

Eis que o facilitismo revogador de Nuno Crato fica exposto pelos seus maiores inimigos: a realidade e o ridículo. Veja-se o que vale a bandeira da prova para professores contratados. Cortam 600 milhões no ensino básico e secundário (vamos ter na educação menos de metade da média europeia de investimento em educação) mas arranjam-se umas receitas rápidas com os professores contratados a pagarem 20 euros pelo acesso à prova geral, mais 15 por cada prova extra. A intenção era humilhá-los, desautorizando a sua formação profissional, ignorando que estes profissionais foram parte do processo de melhoria dos resultados da Escola Pública.

O Ministro recuou, em parte, pretendendo agora dividir para reinar: afinal é só para os que têm menos de 5 anos de serviço. Intenção: castigar os professores com menos de 5 anos de experiência, como se tantos não tivessem até mais qualificações do que os colegas com mais tempo de serviço.

Os professores e professoras e a Escola Pública deram já todas as provas que dispensam o aventureirismo e o radicalismo ideológico das políticas para a educação desta direita.

Desmentido pelos dados do PISA na sua campanha sobre a falta de qualidade da Escola Pública, contraditado ainda pela luta dos professores na sua inútil prova para contratados, a porta de Crato só pode ser a da saída.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, professora.
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