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Empurrar com a barriga

A nova operação de troca de dívida é um adiamento e tem um preço: um agravamento das necessidades de financiamento.

A Ministra das Finanças veio anunciar uma nova operação de troca de dívida, com o objetivo de prolongar as maturidades (prazo em que os montantes devem ser pagos aos credores) em três anos. É uma operação semelhante à que ocorreu em 2012, realizada com os mesmos objetivos. Sobre estas operações, há a registar que:

1. Já não há tabu nenhum sobre a reestruturação da dívida. É disso que se trata com estas operações. Aliás, a maior parte das reestruturações de dívida recorrem precisamente ao instrumento da troca de títulos.

2. No entanto, estas operações não representam, como já vi escrito em algumas notícias, uma "redução das necessidades de financiamento do Estado Português". Significam simplesmente a deslocação dessas necessidades para o futuro, nomeadamente, para depois do mandato do atual Governo.

3. Esse adiamento tem um preço: tal como aconteceu na operação de 2012, o aumento das maturidades tem como contrapartida um aumento dos juros, ou seja, um agravamento das necessidades de financiamento. Dívida com juros entre 2,1 e 3,3% foi trocada por dívida com juros entre 4,7 e 5%.

4. Claro que uma extensão das maturidades poderia ser útil (associada a uma redução dos montantes e juros) para criar uma margem de manobra orçamental para políticas de crescimento económico. Mas não é esse, como se sabe, o objetivo do Governo.

5. O objetivo desta estratégia é simplesmente mascarar o desastre que constituiu o programa de ajustamento, à custa da sustentabilidade da dívida no médio prazo. É uma estratégia míope e irresponsável, que visa exclusivamente prolongar a sobrevivência do pior Governo da nossa democracia, atirando os consequências para os vindouros.

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Sobre o/a autor(a)

Eurodeputado e economista.
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