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1º de Dezembro e a independência “Troikiana”

O povo tem agora pela frente a luta pela reconquista da independência troikiana e pela demissão deste Governo que há muito que deixou de ter legitimidade para governar.

A taxa de desemprego ronda os 15,7%. O Governo faz a festa, pois, dizem as notícias, é o 8º mês consecutivo que vemos este indicador recuar. Sabemos bem que a taxa de desemprego real é significativamente superior e sabemos ainda que um Governo preocupado com os cidadãos jamais teria orgulho nestes números. Sabemos também que a taxa de desemprego jovem continua a aumentar, estando agora nos 36,5%. O salário mínimo é 485€ mas não podemos estar descansados: o Governo e o patronato ainda não desistiram do sonho de diminuir os salários sob pretexto de aumentar a competitividade. A carga fiscal é cada vez mais pesada, o que diminui os rendimentos disponíveis para as famílias, e os bens essenciais têm preços cada vez mais incomportáveis.

Passos Coelho disse, no passado domingo, que lhe dói ver a geração mais qualificada do país ter de emigrar para se poder realizar profissionalmente. Se fosse piada, seria de mau gosto. A geração que abandona o nosso país já não o faz apenas para se realizar profissionalmente; embarca numa viagem sem regresso para sobreviver porque há muito que o Governo lhe virou as costas e aniquilou a possibilidade de um qualquer futuro.

Portugal é um beco sem saída. A falta de investimento público e o asfixiamento das contas públicas aumentam o ciclo de recessão em que estamos envoltos. O Governo finge estar magoado mas é, na realidade, o maior impulsionador da precariedade e do fim do Estado Social. Promovem estágios que preveem 12 meses de trabalho sem férias, contratam trabalhadores sob um regime de falsos recibos verdes e descartam a responsabilidade no aumento dos salários em Portugal. Da saúde à educação, das finanças ao trabalho, o Governo procura diminuir a qualidade dos serviços para justificar a sua privatização.

O fanatismo neoliberal que conduz a coligação PSD/CDS é o maior responsável pela expulsão de cerca de 130.0001 pessoas do seu país. Maria Luís Albuquerque diz que o OE2014 é o “orçamento pós-troika”. Esta afirmação é a maior prova de que o caminho ideológico traçado pela Direita não precisa da presença do FMI para decidir cortar nos serviços públicos e desfarelar o futuro das famílias em Portugal.

A “austeridade soft” proposta pelo Partido Socialista também são os orçamentos pós-troika que o país não precisa pois só conseguirão perpetuar a chantagem neoliberal. O Bloco de Esquerda apresentou propostas para o OE2014, que provam que existe alternativa à austeridade.

Mais do que nunca, o imperativo da luta coloca-se na rua e não no parlamento que hoje conhece uma maioria de Direita que já não representa o povo. O 1º de Dezembro, assim como a implantação da República, já havia sido negado a todos os portugueses; foi novamente negado pela maioria parlamentar, ao aprovar este Orçamento do Estado. O povo tem agora pela frente a luta pela reconquista da independência troikiana e pela demissão deste Governo que há muito que deixou de ter legitimidade para governar.


Sobre o/a autor(a)

Estudante do Ensino Superior. Membro da Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda.
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