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Piquetes para derrotar a prova

Os professores têm vinte dias para organizar uma vitória contra a prova de Nuno Crato. Ela é possível. Derrotar a prova é derrubar Crato. Artigo de Miguel Reis e Belandina Vaz.
Foto de Mário Cruz, Lusa.

A greve às avaliações e aos exames realizada no passado ano letivo deve ser bem estudada por todos. Os professores construiram uma greve rotativa, fundos de apoio, uma paralisação esmagadora e tornada efetiva com piquetes à porta das escolas.

Tanto no caso dos fundos de greve como no dos piquetes, muitos sindicalistas empenharam-se nesta estratégia desde o início. Mas as direções sindicais, que a apoiaram, foram tímidas no seu anúncio e na sua preparação prévia. Uma atitude mais combativa e coerente com o ânimo da classe teria proporcionado resultados ainda melhores.

Para impedir - o objetivo não é outro - a "prova de avaliação de conhecimentos" marcada para 18 de Dezembro, que podemos aprender com a greve anterior?

Em primeiro lugar é preciso ter claro que:

- Depois da greve às avaliações e da abertura do ano letivo, não há dúvida que temos pela frente um ministro que destila ódio aos professores, obcecado em cortar na escola pública e em conluio com os colégios privados.

- É indispensável a mobilização dos professores do quadro. Os professores contratados empenharam-se ativamente com os professores do quadro na luta contra a mobilidade especial. É agora a vez de os professores do quadro retribuírem. É deles a última palavra nesta história. Chegou a hora de se solidarizarem com os contratados, ameaçados de expulsão da profissão, muitos deles desempregados e tratados como ignorantes depois de anos a lecionar.

Para permitir um debate clarificador em todas as escolas e a preparação atempada da desobediência, há duas convocatórias urgentes. Devem ser assumidas o mais cedo possível pelas direções sindicais e da forma mais determinada. São as seguintes:

1) Greve. A mobilização dos professores do quadro em solidariedade com os colegas precários e desempregados, na recusa do papel de carrascos ao serviço do governo, vigiando as provas e corrigindo-as. Mas atenção: a greve à vigilância deve ser mais do que uma simples falta de comparência;

2) Piquetes. Às portas das escolas onde se realizarem as provas, devem concentrar-se os professores em greve e toda a comunidade escolar (com a máxima participação possível de auxiliares, pais e alunos). Esses piquetes devem ser preparados como uma verdadeira homenagem aos professores submetidos a esta humilhação. E também estes deverão tornar clara a recusa desta prova.

Para que a estratégia dos piquetes vença e as provas não se realizem, é indispensável a máxima união dos sindicatos e de todos os defensores da escola pública, associações, plataformas, movimentos. Teremos centenas de pessoas à porta de cada escola onde se realizem as infames provas. Nenhuma violência do governo será tolerada pela vontade pacífica de quem, perante o abuso do poder, exerce o Direito de Resistência que a lei consagra.

Se quisermos, esta prova não existirá.

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