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Privatização dos estaleiros de Viana é “mais um negócio ruinoso”

A deputada Mariana Aiveca frisou esta quinta feira que a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo é um “mau negócio para o país, a região e a economia nacional” e criticou o "desrespeito pelos trabalhadores que construíram ao longo de anos e anos uma unidade de excelência”. Trabalhadores pedem a Cavaco Silva e Passos Coelho para travarem este "crime social" em Viana do Castelo.

Durante uma conferência de imprensa que teve lugar na Assembleia da República, a dirigente bloquista defendeu que o ministro da Defesa deve "prestar todos os esclarecimentos sobre tão ruinoso negócio" no parlamento, anunciando que o Bloco já apresentou um requerimento para que se realize uma audição de José Pedro Aguiar-Branco na Comissão Parlamentar de Defesa Nacional.

"O que sabemos é que a Martifer apenas garante o trabalho a 400 trabalhadores. Sabemos também que o Governo se prepara para despedir todos os 618 trabalhadores, assumindo o pagamento das indemnizações. O Bloco sempre teve uma posição muito clara sobre a privatização dos estaleiros de Viana: entendemos que é um mau negócio para o país, a região e a economia nacional. Este é mais um negócio ruinoso", avançou Mariana Aiveca.

A deputada acusou o Governo de, mais uma vez, “socializar os prejuízos e entregar a privados uma unidade de excelência, internacionalmente reconhecida” e criticou o "desrespeito pelos trabalhadores” dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

Bloco de Esquerda de Viana do Castelo solidariza-se com trabalhadores despedidos

A organização do Bloco de Esquerda de Viana do Castelo expressou esta quinta feira “a sua solidariedade com todos esses trabalhadores, vítimas de um processo negocial que sempre os ignorou e que apenas teve como finalidade mais uma negociata entre o Estado e os investidores privados”.

“A hora é de luta. Uma luta que tem de ser partilhada por todos os vianenses e não apenas pelos trabalhadores dos Estaleiros. A hora é de dizer basta a esta política em que as pessoas são apenas números multiplicados por euros”, refere o Bloco de Viana em comunicado, sublinhando que “estará ao lado da CT, movimento sindical e autarquias em todas as iniciativas que forem tomadas em defesa dos postos de trabalho, dos direitos laborais e das necessárias respostas ao agravamento da situação económica e social na região”.

Trabalhadores fazem apelo a primeiro-ministro e a Presidente da República

Após uma reunião de cerca de duas horas e meia com o ministro da Defesa Nacional, o dirigente da comissão de trabalhadores dos ENVC António Costa afirmou que a única garantia que Aguiar-Branco confirmou foi o despedimento coletivo de 620 trabalhadores.

“Ficámos muito desiludidos porque há ano e meio a esta parte, o ministro pegou num diploma do Governo socialista e disse que ia pôr na gaveta 420 despedimentos. Agora está a fazer melhor, está a despedir de uma só vez 620", frisou.

"Fazemos um apelo ao primeiro-ministro e ao Presidente da República. Parem este processo da subconcessão dos ENVC. Não deixem que o ministro faça este crime social em Viana do Castelo. É criminoso o que estão a fazer. É inadmissível", acrescentou.

"Nota-se nos olhos e nas palavras dele (ministro). Não está convicto da adjudicação que está a fazer a este grupo (Martifer). Não tem segurança no futuro, na continuidade da construção naval em Viana do Castelo. Viemos aqui pedir trabalho e não reivindicações nem aumentos salariais. Viemos pedir trabalho e não queremos dinheiro para rescisões", referiu ainda António Costa.

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