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Tsipras: “A Europa precisa de uma frente anti-austeridade e anti-recessão”

Alexis Tsipras afirma que a sua candidatura à presidência da Comissão Europeia (CE) pelo partido da Esquerda Europeia é “motivada pelo desejo de reunir a Europa e reconstrui-la sobre uma base democrática e progressiva”. “A Europa precisa de uma frente anti-austeridade e anti-recessão, um movimento de solidariedade para os seus trabalhadores, do norte e sul”, defende o líder da Syriza.
Foto publicada no facebook de Alexis Tsipras.

Num artigo publicado esta quarta feira no The Guardian, intitulado “A austeridade está a causar estragos, mas a esquerda pode se unir-se para construir uma Europa melhor”, Alexis Tsipras afirma que “os fanáticos do neoliberalismo criaram uma tragédia humanitária no continente” e que “o nosso destino é contra atacar”.

Referindo-se, em primeiro lugar, à “catástrofe económica e humanitária sem precedentes em tempos de paz” que se vive na Grécia, o líder da coligação Syriza frisa que a “tragédia humana” não se limita ao seu país.

“Os salários na Europa foram reduzidos e o Estado social recuou a uma velocidade sem precedentes no pós-guerra”, avança, lembrando que milhões de pessoas lutam para pagar as suas hipotecas, contas de eletricidade ou dívidas associadas a despesas de saúde ou educação.

“A crise humanitária na Europa é inédita nos últimos 60 anos, com 120 milhões de pessoas a viver em condições de extrema dificuldade, segundo dados da Cruz Vermelha. Este não é um fenómeno natural, mas sim, para parafrasear Mandela, pobreza 'produzida pelo homem'”, sublinha Tsipras.

“Os fanáticos do neoliberalismo viraram do avesso a vida das pessoas. As suas políticas de ajustamento servem um modelo de governação económica que transfere o risco para os ombros dos trabalhadores e dos jovens”, acrescenta.

Para o dirigente da Syriza, os líderes europeus que afirmam que a austeridade é a solução são “hipócritas”. “Para milhões de pessoas, o sonho europeu transformou-se num pesadelo”, refere, alertando que os últimos inquéritos do Eurobarómetro refletem “a crescente crise de confiança na União Europeia (UE) e a catastrófica subida de popularidade dos partidos de extrema-direita”.

“O que deve alimentar a nossa esperança é a emergência de novos grupos de solidariedade e de movimentos comunitários. Eles podem traduzir-se, e traduzir-se-ão, numa participação e controlo mais democráticos”, defende.

“As eleições europeias em maio próximo, também proporcionam uma oportunidade para iniciar um diálogo real com as pessoas - especialmente aquelas que sentem que ninguém se importa com elas - sobre uma nova base para uma verdadeira democracia e dignidade humana”, avança Alexis Tsipras, salientando que “a Europa precisa de uma frente anti-austeridade e anti-recessão, um movimento de solidariedade para os seus trabalhadores, do norte e sul”.

“Eu vou candidatar-me à presidência da Comissão Europeia (CE) pelo partido da Esquerda Europeia, e essa decisão é motivada pelo desejo de reunir a Europa e reconstrui-la sobre uma base democrática e progressiva. Há uma alternativa para a atual crise e é nosso dever e destino lutar por ela”, remata Tsipras.

A candidatura de Tsipras à presidência da Comissão Europeia da Comissão Europeia deverá ser ratificada no congresso da Esquerda Europeia, em Madrid, no próximo mês.

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